CRÓNICA: ARTISTAS QUE FICARAM PELO CAMINHO EM 2012...



A festa eurovisiva não se cinge, unicamente, aos três dias onde ocorrem as semifinais e final da Eurovisão. Muito está para além das cerca de quarenta delegações que se apresentam no local eurovisivo, existindo toda uma preparação por parte das mesmas para se apresentarem na sua melhor forma – pelo menos, assim deveria ser! Neste seguimento, surgem as finais nacionais, as escolhas internas e, até mesmo, os cantores que quereriam ingressar nos eventos eurovisivos, mas não o chegaram a fazer (como é exemplo, Mihai Traistariu). Futebolisticamente falando, esta seria uma espécie de “pré-época”, onde se trabalha no sentido de escolher o melhor representante, o melhor tema, limando arestas e acertando vorazes tácticas vencedoras.


Deste modo, a “pré-época” pela qual terminamos de passar foi, como de costume, rica em escândalos, alegrias, desilusões e, até mesmo, alguns momentos dignos de “carimbo” humorístico. Como não poderia deixar de ser, tivemos direito a assistir a “pérolas” do mau gosto, como apalpões a apresentadoras, manifestações xenófobas e, como sempre, polémicas devido a plágios. Mas nem tudo é mau… No meio de tanto maldizer, pudemos assistir a brilhantes espetáculos de seleção nacional, com o habitual destaque do Melodifestivalen (que muitas vezes supera a qualidade inerente ao próprio ESC).


Um dos principais destaques desta temporada de seleções nacionais foi a eliminação direta de Carlotte Perelli com o seu “The Girl”. Mesmo sem ser um tema inovador e arrebatador, revelou-se uma agradável surpresa em termos cénicos, com uma boa coreografia e performance vocal, merecendo, no mínimo, um lugar no Second Chance! Deste modo, a vencedora do ESC 1999 protagonizou um dos maiores flops pré-ESC, mesmo sem o ter merecido. Mas esta não foi a única repetente a ficar pelo caminho, as Afro-Dite (ESC 2002), Dima Bilan (ESC 2006 e vencedor ESC 2008), Lys Assia (primeira vencedora do ESC) e Yulia (ESC 2003) foram alguns dos nomes, já bem conhecidos, a tentar a sua sorte, sem conseguir o “passaporte” para Baku. Ao que parece, ter prestígio e renome não é mais uma condição determinante para o sucesso eurovisivo… A criatividade, originalidade e, por vezes, a “palhaçada” parecem conquistar os votos dos habitantes europeus.


            Apesar de todo o burburinho que se fez em torno da eliminação de Charlotte, nenhum momento conseguiu, a meu ver, chocar tanto como as vencedoras russas. Não nutro qualquer tipo de preconceito para com artistas com mais idade, o meu problema é mesmo a música! Até porque, e mesmo não sendo fã de Dima Bilan, a música deste com Yulia tinha muito mais qualidade que “Party For Everybody”! Apesar de ser um tema com sonoridades já “batidas” e conhecidas, consegue tornar-se mais agradável do que ouvir (e ver) seis senhoras, vestidas tradicionalmente, a cantar cada qual em seu tom e tempo.


            Para muitos o segundo lugar de Danny foi um “falhanço” eurovisivo, dada a sua popularidade e expectativa que existia em torno da sua participação. Na minha opinião Danny não ficou aquém do que se esperava, tendo-se apresentado em excelente forma na final nacional. Simplesmente o seu “Amazing”, mesmo sendo muito bom, não conseguiu “tapar” o efeito quase “hipnótico” que “Euphoria” criou em torno dos eurofãs! Desta forma, penso que seria muito interessante caso fosse permitido à Suécia levar mais que um representante e eliminar da lista de países participantes nomes como Montenegro ou Geórgia. Brincadeiras à parte, temas como o de Danny e Molly (repetentes no Melodifestivalen), mesmo não tendo sido selecionados, têm qualidade inerente, tendo essa sido, completamente “mortificada” pela extraordinária Loreen.
            Como não podia deixar de ser, tem de ser feita referência à nossa final nacional – o nosso tão querido Festival da Canção! Numa crónica dedicada a falhanços, não posso deixar de salientar a falta de qualidade de realização e musical inerente a este evento. Depois de assistir ao Melodifestivalen, ver o espetáculo proporcionado pela nossa estação pública torna-se, quase, angustiante. Eu sei que existiu uma tentativa de inovar, com a introdução de acts mais dinâmicos e originais, mas mesmo assim soube a pouco! Sem falar que todo o cenário envolvente parecia mais propício para uma apresentação circense do que para um Festival da Canção!


Não vou entrar em detalhes quanto à qualidade musical (ou falta dela!) das músicas a concurso, destacando, somente, o tema de Carlos Costa como maior flop português. Esperava-se algo mais arrojado, com um toque de pop sueco quiçá… Não um pop-pimba, sem qualquer toque carismático além do próprio cantor! Apesar da boa pontuação por parte do público, como seria de esperar, os pontos atribuídos (ou falta deles!) pelos vários júris fez sobressair a fraca qualidade do tema “Queres que eu dance?”. No entanto, nem tudo é mau! Ricardo Soler, quanto a mim um dos melhores cantores portugueses, apresentou-se com um tema interessante (mesmo sem ser brilhante), tendo-o embelezado com a sua excelente voz e poder interpretativo. Falando em excelente voz, não podia deixar de mencionar a belíssima voz de Rui Andrade… Mais uma excelente voz sem uma música à sua altura!


            Uma das primeiras finais nacionais a ser realizada foi a suíça, que apresentou uma agradável (ou não!) surpresa… A volta de Lys Assia às lides eurovisivas, meio século após a sua vitória. Mesmo sendo a grande favorita, esse favoritismo não resultou numa vitória! Porquê? Aparentemente, o ESC mudou e Lys Assia não! Fica, assim, assente uma grande lição… Quando se vence uma edição da Eurovisão, não se deve voltar porque vai acabar em desilusão!
             
Imagens: Obtidas mediante pesquisa no Google
Vídeos: Alojados no Youtube
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20/03/2012


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3 comentários:

  1. Como eu digo era melhor arranjarem cronistas com gostos musicais diferentes, porque estes já sabemos que amam de paixão o Ricardo Soler e depois ainda dizem que os fãs do Carlos é que são fanáticos...Quanto ao Carlos, se foi "flop" deviam culpar o João Só, foi ele que compôs o tema. Quanto ao televoto o Carlos teve muitos votos por parte dos fãs mas outra parte por pessoas que apreciaram a energia/alegria/diferença do tema e do interprete. E desde quando o voto do júri é valido para alguma coisa? Ou já se esqueceram de "Canta por Mim" que estava melhor construída e mesmo assim teve uma pontuação fraca?! Será que vos custa assim tanto engolir que o Carlos foi o 2º mais votado? Há espaço para todos, mas há que saber aceitar os factos mesmo que esses não sejam do vosso agrado. Se a "Queres que eu dance?" era a pior são capazes de me dizer o que era a "Amanhã Começa O Meu Futuro", "Redescobrir Portugal", "Outono em Forma de Gente" e a péssima interpretação da Joana Leite em "Amor é maior que a vida"?! Ainda assim acham a "Queres que eu dance?" a pior? Será que vimos/ouvimos o mesmo?

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  2. Eu continuo sem perceber o problema com a música do Carlos...estamos a falar da Eurovisão e parece-me que os cronistas ainda não perceberam bem o que é este concurso! Enquanto cantarmos em português de nada nos vale levar poemas lindos porque ninguém os vais perceber. A música do Carlos tem uma letra engraçada, é repetitiva e fica no ouvido e isso é o mais importante neste tipo de concursos. Sem tirar valor ao Ricardo Soler e à sua música, quer-me parecer que é muito sobrevalorizada. Ele fez uma excelente interpretação do tema mas sinceramente não me parece que na Eurovisão fosse resultar. É certo que não sabemos se a do Carlos resultaria mas tenho a certeza que pelo menos ia colocar toda a gente com o ritmo da música na cabeça. E não consigo entender como consideram a canção a pior do festival...ouvi por lá músicas fraquinhas e completamente inadequadas ao Festival mas tudo bem...mais vale cair em graça do que ser engraçado :)

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  3. E pq é que os fãs do Carlos não conseguem admitir que a música ñ era de longe a pior mas ñ satisfazia de todo o que se queria e esperava dele?
    Eu também gostaria de ver o Carlos no ESC um dia mas com uma música que lhe faça justiça não com esta mediocridade do "Queres que eu dance"...prefiro a musica da Filipa do que ver o Carlos ser "esmagado" por um Tooji e uma Loreen...por isso deixem lá essa má onda contra os cronistas.

    Ficaram muitas musicas boas pelo caminho nos mais diversos países(aliás esqueceram-se de outro flop que foi a Dess na Bulgária)mas prontos as finais nacionais tal como o ESC nunca serão justas nos resultados :)

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