ESC 2015: comentários ao quarto dia de ensaios


Daqui a precisamente uma semana, vamos ter no palco eurovisivo a Leonor Andrade a defender as cores portuguesas frente aos restantes artistas da segunda semifinal (alguns deles ensaiaram hoje). Subiram hoje ao palco os representantes de Israel, Letónia, Azerbaijão, Islândia, Suécia, Suíça, Chipre, Eslovénia e Polónia.



Para aqueles que criticaram as performances vocais de Navad Guedj nas apresentações ao vivo de "Golden Boy", ele vem provar que afinal consegue cantar, e bem. Os efeitos remetem-nos para a canção, que tem muito ritmo e vai certamente animar os espetadores. A coreografia parece-me, nestes 30 segundos, bastante boa, sempre com o cantor inserido na mesma. Também a roupa me parece adequada ao tema e os coros são bastante competentes permitindo ao cantor descansar a voz em algumas partes. Será um crime caso Israel não vá à final este ano. 



Já aqui disse que, ao contrário da maioria dos eurofãs, não gosto da proposta da Letónia este ano e o ensaio só me deixou ainda mais convencida disso mesmo. Primeiro que tudo, o vestido de Aminata parece-me mais adequado a uma balada do que a uma música deste género, esperava algo mais forte e poderoso. Mantém-se a presença estática da cantora em palco, algo que, a meu ver, põe o foco na canção e acaba por cansar o espetador por esta ser muito aguda e parada. Talvez mais movimento em palco ajudasse. O fundo é bastante amador e os jogos de luzes brancos não puxam o lado sombrio da canção que podia ser bem melhor aproveitado. Também os coros são em demasia. Continuo convicta de que "Love Injected" não estará na grande final. 



O Azerbaijão não está na Eurovisão para brincar: se participam é para ganhar. Elnur tem a melhor voz do concurso. Pode exceder-se no que diz respeito a invenções no meio da música, mas faz o que quer com a voz como mais ninguém neste concurso. Até podia estar sozinho em palco, que a sua voz era capaz de o encher. O fundo é possivelmente o melhor deste ano e remete-nos de imediato para a canção. Quanto aos bailarinos, é preciso mais de 30 segundos para poder julgar uma coreografia destas, mas não me parece desadequada porque os azeris pensam sempre muito antes de subirem ao palco. Escrevam o que vos digo: vamos ter top 3 para o Azerbaijão.



Nem sempre "menos é mais" pode ser aplicado no mundo eurovisivo. É este o caso. Maria Oláfs está sozinha no meio do palco com os coristas de um lado, mas o palco é demasiado grande para ela e para a canção. "Unbroken" é uma música agradável, mas está longe de ser uma obra de arte. A jovem cantora tem uma voz bonita mas que não enche o palco. Também o fundo é giro mas nada de especial. O vestido não é mau, mas podia mais fluído para dar a sensação de mais movimento. Tudo me sabe a pouco na proposta islandesa, mas chega para a final.



Para quem segue a Eurovisão só no dia, é óbvio que esta atuação não lhe vai passar ao lado. Para nós, que já andamos nisto há muitos anos, vemos o que já vimos no Melodifestivalen numa versão menos boa. O que nos salta logo à vista é a evolução do boneco. Eu preferia a versão simplista sem estas complicações, mas a partir do momento em que falaram em upgrade, soube que não ia gostar. Outra coisa que piorou (e não foi pouco) foram os coros. Ter coros gravados no Melodifestivalen é muito bonito, mas chega-se à Eurovisão e estragam-se canções inteiras com a brincadeira. Também aquela "coreografia" do "dancing with the demons in our minds" devia ter saído. À parte disto, temos obviamente uma atuação feita para o primeiro lugar, em grande parte pela voz, carisma e presença do cantor.



Aguardem... Tenho de visionar isto muitas mais vezes para perceber o que é que a cantora está a fazer em palco... Já percebi: nada. Mélanie René quase nem se ouve com a gritaria das coristas que precisam que alguém lhes baixe o volume dos microfones. Não sei de onde é que veio a ideia da floresta mas não penso que seja indicada para a música. A cantora tem um vestido "de noiva" e uma capa feita da cortina que tinha lá em casa e, porque só isto não chegava, ainda há tambores em palco. Entende-se esta escolha: a música tem imenso ritmo de tambores por isso faz sentido pô-los no palco a encher. Não haverá final para a suíça este ano.



O cantor continua a ter uma voz básica e a atuação é o que se esperava: ele sozinho no meio do palco a tentar cantar e encantar. O ponto forte da proposta cipriota, a meu ver, é o ambiente criado em palco. O fumo é sempre um factor chave nas atuações e o fundo é bonito sem ser piroso - que é o caso da maioria este ano - e tem efeitos particularmente interessantes nas partes "explosivas" da canção. Vamos ter Chipre novamente a ficar-se pela semifinal.



Mantém-se tudo igual ao que foi visto na final nacional eslovena; o que é bom para os que só vêem o ESC no dia (e nesse caso "Here For You" terá o mesmo efeito que teve em nós quando ouvimos pela primeira vez), mas muito mau para quem segue afincadamente o Festival. Sendo uma das favoritas dos fãs, pedia-se mais do que a atuação pobre que temos. Os malditos headphones mantêm-se, bem como a mulher que toca um violino invisível. Os jogos de luzes estão adequados ao estilo de música e o facto de não haver um fundo com mais desenhos é uma excelente opção. Pedia-se mais.



A música só por si já é muito esquecível e a atuação é o culminar disso mesmo. O fundo é bastante básico (segundo ouvi dizer, porque não vi mais ensaios senão que não os de hoje, há bastantes árvores nos fundos) e os "panos" por ele mostrados ficariam mais bonitos ao vivo do que no ecrã - seria uma forma de dar movimento à atuação. Imaginei esta música no palco de várias formas e nunca com a intérprete na cadeira de rodas. Podia estar sentada no chão ou até em cima do piano, quem sabe. Os coros não ajudam a voz da cantora que fica um bocado perdida. Não me parece que a Polónia consiga a final este ano.

Melhor ensaio do dia: Azerbaijão
Pior ensaio do dia: Suíça

Vídeos: Eurovision.tv
14/05/2015

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