ESC2015: comentários à primeira semifinal


A primeira semifinal do Festival Eurovisão da Canção 2015 iniciou-se com a vencedora do passado ano, Conchita Wurst, interpretando “Rise like a phoenix”. Numa atuação competente, que serviu de apresentação aos concorrentes que estarão na esperança de a suceder em 2015, a artista proporcionou uma elegante interpretação.

Pela primeira vez, tivemos um leque de apresentadoras na condução do Festival em Viena sendo que este ano voltou aos comentários portugueses o também apresentador da RTP Hélder Reis. Este mostrou-se bastante competente na apresentação das canções a concurso e Ramon Galarza, conhecido compositor português ligado ao Festival RTP da Canção, acompanhou-o no comentário – não sem receber duras críticas dos fãs eurovisivos portugueses nas redes sociais. No entanto, assinala-se nota positiva para a sintonia que apresentaram apesar da falta de contextualização necessária para os que menos estão dentro das “lides eurovisivas”. Esperemos que neste aspeto exista uma pequena mudança, nomeadamente na Final do próximo sábado.



Em relação às atuações, a Moldávia abriu o espetáculo de forma excecional: animado, forte e irrepreensível Eduard Romanyuta tudo fez para se qualificar para a Final de Sábado. No entanto, e como já seria de esperar, nem o sensual rasgar da t-shirt o conseguiu salvar.

Já a Arménia qualifica-se sem ter dado grande espetáculo. Uma canção algo fraca consegue qualificar-se, à primeira vista, devido ao género musical e à potência vocal dos artistas, que costuma ser bastante apreciada pelo júri. Um país que não surpreende, que passa despercebido nesta semifinal e que, a não ser que muitos aspetos mudem, não terá grandes esperanças no dia 23 de maio.



Já o mesmo não se pode aplicar a Loïc Nottet e "Rhythm Inside". Esta foi uma das grandes atuações da noite. Arrojada e diferente, esta é uma aposta vencedora para a Bélgica que verá aqui a sua hipótese de alcançar um lugar cimeiro na tabela classificativa da Final. Um top 10 será, mais que merecido, necessário.
A não-qualificação da Holanda não foi também uma das surpresas da noite. Trijntje Oosterhuis apresentou-se segura mas com uma canção que passa despercebida no meio de tantas propostas originais vindas de outras nações. Nota negativa para a sua indumentária: um vestido que não a favorecia minimamente e uma atuação que tenta ser mais jovial através do coro e de um “love” que nos aparece no punho da holandesa – que seria, francamente, dispensável.

Ao lote de países que “se ficaram pelo caminho”, junta-se a curta canção “Aina mun pitää" vinda da Finlândia. A sua mensagem não conseguiu conquistar nem o público nem o júri europeu apesar da competente performance da banda vinda do "país do Rock".



Maria Elena Kyriakou foi uma das melhores intérpretes da noite. Com uma música sobre amor, o tema reinante em todos os Festivais Eurovisão da Canção, a Grécia consegue aqui mais uma vez a qualificação. Um cenário simples, adequado, em tons de azul e um belo vestido brilhante nos mesmos tons deram o toque final a esta atuação que foi bastante superior à que vimos na final nacional grega e que colheu, por isso, os seus frutos.

Os intérpretes estónios deram uma performance simples e adequada à canção simples que tinham para defender. De facto, o que faz a pacata canção sobressair é o próprio cenário e os planos das câmara que lhe acentuaram na perfeição e lhe deram o destaque que os fãs eurovisivos queriam ver. Tiveram uma passagem merecida que não irá resultar numa vitória, mas numa canção que terá possibilidades de lutar pelo melhor resultado da Estónia desde que os Big Five e a Austrália não surpreendam (o que tem grandes hipóteses de suceder).

Já a Macedónia fez uma má escolha em fazer alterações na música original e isso refletiu-se na semifinal – como já era esperado. "Autumn Leaves" tem um cenário bonito e uma atuação esforçada com um ponto negativo: os competentes coros foram bastante mal colocados no palco. Não é apelativa nem ao televoto nem ao voto dos próprios jurados europeus, que tinham propostas bem mais interessantes e musicalmente melhores por onde escolher.



A passagem à Final da Sérvia foi merecida pela atuação que Bojana e o seu coro nos ofereceram mas apenas isso. A canção, que é das piores desta edição do Festival Eurovisão da Canção, oferece muito aparato, brilho e tem um crescendo que foi do agrado do público no Wiener Stadthalle e dos telespectadores. No entanto, não podemos deixar de pensar na passagem que “Eu quero ser tua”, canção também bastante apelativa ao televoto em 2014, não conseguiu atingir (devido ao júri, relembre-se) e aplicar esse mesmo raciocínio à canção de Bojana. De facto, a única resposta para este dilema será a colocação de Bojana pelos jurados num lugar acima do que realmente a canção merecia.

A Hungria tinha tudo para se conseguir qualificar e conseguiu fazê-lo de forma excecional com uma atuação simples mas que focava o mais importante: a mensagem de paz da canção. Esta foi bem transmitida pela banda Boggie e também com a ajuda do brilhante palco do estádio austríaco, bem focado pelas câmaras."Wars for nothing"não irá atingir um top 10 na Final – um top 15 já seria bastante positivo – mas ficará certamente na memória dos fãs eurovisivos.



O segundo dueto da noite, Uzari e Maimuna, não se conseguiu qualificar para a Final mas foi uma das melhores canções apresentadas nesta noite de 19 de maio.

Tivemos uma atuação sem grande aparato mas com grande intensidade da parte de Maimuna, ao violino, e de Uzari, vocalista, que tiveram uma grande cumplicidade em palco transmitida simplesmente através do olhar. No entanto, faltava-lhe algo mais ainda para que a atuação sobressaísse a ponto de conseguir arrecadar mais votos do público. Infelizmente, nem o júri – que se espera que tenha dado uma classificação alta a esta canção – conseguiu salvar a Bielorrússia dos últimos sete lugares da semifinal.

A beleza física e vocal de Polina embevece qualquer coração. Tal como a sua música “A million stars” que se qualificou diretamente para a Final (muito provavelmente nos três primeiros lugares) como já é costume da Rússia. A atuação com bandas, que normalmente não favorece os artistas no que toca à votação, resulta este ano com esta potência eurovisiva. Destacamos a filmagem de várias bandeiras LGBT logo antes de ter começado o primeiro refrão da canção. Intencional ou não, foi um grande momento na atuação de um país conhecido pelas leis e ideias homofóbicas do seu governo, que traz este ano uma canção sobre paz e amor pelo outro.

Esta noite, tivémostambém uma Dinamarca animada e com uma canção que nos acompanhará numa tarde de verão com bastante calor apesar de não se ter conseguido qualificar para a Final – algo que já não acontecia desde... 2007. Tendo em conta a qualidade de algumas das canções que se qualificaram, claro que esta atuação bastante bem interpretada seria uma mais-valia na Final de Sábado.



Esta foi a minha surpresa da noite na qualificação devido à terrível prestação vocal de Elhaida Dani. O palco estava simples mas adequado à canção e o foco das câmaras foi sempre a cantora que estava belissimamente bem-vestida. No entanto, com uma prestação vocalmente nada uniforme e com graves falhas de voz, "I’m Alive" desiludiu mas conseguiu a qualificação para uma Final em que vão estar presentes mais uns tantos artistas com uma extensão vocal semelhante, o que faz com que a mesma tenha de esquecer o nervosismo e dar a performance da sua vida. Esperemos que Elhaida aproveite bem a oportunidade e deslumbre os espectadores na Final, caso contrário não se augura um bom resultado para o país – que poderá ter aqui a sua melhor classificação de sempre caso este aspeto mude.

A Roménia, mais um ano, não vacila e dá-nos uma espetacular performance com uma boa canção maioritariamente cantada na sua língua materna. Temos imagens no fundo do palco que remetem para a temática sensível da canção mas que nem sequer seriam necessárias para que este país se conseguisse qualificar. Já na Final, não deverá ser uma das canções mais votadas, mas almejará por, no máximo, um 15ºlugar (como já é habitual acontecer com este país).



E por fim, temos a Geórgia: Nina apresenta uma aparência que só em si é suficiente para encher o palco. Adereços, bailarinos, cenário... nada é necessário com uma artista com um talento tão grande. Uma grande canção com uma artista que esteve, vocalmente, quase irrepreensível e que arrecadará a melhor posição de sempre para a Geórgia no Festival Eurovisão da Canção 2015.

Em suma, assistimos a uma semifinal equilibrada e muito forte, De facto, qualificaram-se na sua maioria os países que normalmente conseguem passar à Final e as canções mais poderosas com melhores atuações. Agora esperemos ansiosamente pela segunda semifinal!

Vídeos: eurovision.tv
20/05/2015

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