Crónica ESC 2015: 'We Are Heroes Of Eurovision Time'


Chegou ao fim a temporada eurovisiva, com muita pena nossa!  Já sinto saudades dos fins-de-semana passados agarrado ao computador a ver as finais nacionais dos países a concurso! Dos nervos que se apanha ao tentar assistir sem falhas de sinal de internet às emissões pela web! Das alegrias em quando sabemos que as nossas canções favoritas adquirem o bilhete para o evento! Das tristezas que temos quando outras canções de que gostamos ficam por terra! Enfim, vida de eurofã é assim! Mas orgulho-me bastante de ser fã da Eurovisão.

Quanto ao evento em si, tive mais uma vez o privilégio de o assistir in loco, na Áustria, em Viena, e deixem-me dizer que a organização do Festival  foi uma das melhores que assisti ao vivo, desde o meu primeiro ESC, em Baku! O local escolhido para a realização do evento (Wiener Stadthalle) foi excelente, pois encontrava-se no centro da cidade, com fácil acesso e com uma excelente rede de transportes públicos muito perto da arena. A cidade de Viena soube muito bem aproveitar o evento, em beneficio da promoção da imagem da cidade, a nível internacional. 


Quanto ao evento em si, tivemos um grande programa de televisão, sem dúvida alguma! A ideia de utilizarem a imagem da Conchita em todos os eventos que antecederam ao inicio das semifinais e final, a chamada dos intérpretes ao palco vindos da green room pela passadeira a meio da arena, julgo que, tornou o ambiente mais intimista e mais acolhedor. A nivel televisivo, a tecnologia utilizada com os efeitos das bolas no tecto ficou soberba -  e muita gente pensou que aquilo eram efeitos especiais feitos por computador, o que não é verdade. A emissora ORF está de parabéns pelo magnifico espectáculo televisivo.

A apresentação do espectáculo decorreu na normalidade e as 3 apresentadoras fizeram o seu papel de trazer vida ao programa! No seu todo, estiveram muito bem! O grande momento delas foi na grande final quando apresentaram o hino “Building Bridges”, conjuntamente com a Conchita. A Conchita desempenhou muito bem o seu papel de apresentadora e entrevistadora na Green Room

Quanto aos participantes, tivemos grandes presenças, grandes interpretações, grandes momentos de televisão! Tenho de destacar as fantásticas performances de Itália (a minha favorita), Rússia, Bélgica! Impressionante e de arrepiar! Foram performances de encher o olho e que se irão tornar clássicos da Eurovisão, em anos futuros. Sempre pensei que iríamos ter Itália como vencedora deste certame, pois a atuação dos Il Volo foi avassaladora e levou o público ao rubro. Que momento fantástico!


Outro momento de destaque foi a apresentação da Austrália em competição, pela primeira vez na história do ESC. Uma apresentação muito profissional e o Guy Sebastian mostrou-se muito à vontade em palco! Um tema com sonoridade internacional e que mereceu estar entre os 10 primeiros! 

Merecem meu destaque as performances de Israel, Sérvia, pelo momento de festa dentro da arena, bem como a magnifica apresentação de Montenegro no seu conjunto. Serão performances que ficarão na memória deste ESC.  Outra grande surpresa foi a performance da Aminata da Letónia! Mas que momento mágico e místico neste ESC. Mereceu o TOP 10!

Devo destacar outras performances que ficaram na minha mente e foram muito desvalorizadas, coisa que eu não compreendo! Foram as performances da França, Espanha e Áustria! A Lisa Angell apresentou-se como uma Diva e a sua performance em palco levou ao rubro a Arena de Viena! Confesso que fiquei emocionado e tive arrepios na pele quando assisti aquele momento fantástico. Considero uma grande injustiça ter sido apenas valorada em 4 pontos.  Quanto a Espanha, desde do inicio que escutei a canção, tive sérias dúvidas da aposta espanhola. A Edurne esteve fantástica e sublime, e fez o que pode para fazer brilhar o tema, mas devo dizer que o tema não se encaixa na melodia espanhola que estamos habituados a escutar. Não compreendo a decisão da televisão espanhola em pagar a um compositor sueco para compor uma música que em nada condiz com o atual pop espanhol. Existem tantos e tão bons compositores espanhóis com grandes sucessos mundiais! Na minha opinião, a Espanha, se quer ficar bem no ESC, tem de escolher uma melodia com sonoridades latinas, pois nessa opção terá mais hipotese de ficar no TOP 10 e, quem sabe, vencer o ESC!   A Áustria e a sua apresentação, como país organizador do evento, não merecia, os 0 pontos!  A performance dos The Makemakes, muito ao estilo dos Supertramp, foi irrepreensível! Outra grande injustiça deste ESC! 


Uma palavra para Portugal e para a nossa Leonor! Fiquei muito contente da nossa prestação, apesar de não ter chegado à grande final do Festival! Foi fantástica e o meu peito encheu-se de orgulho, quando pude escutar o público acompanhar a nossa Leonor com palmas, durante a atuação!  Mas devo fazer alguns apontamentos quanto à nossa participação neste evento europeu! Alguns dias atrás o vencedor do ESC 2015 falou da BBC e das suas escolhas para a Eurovisão, tomando a opção de escolher compositores, letristas em vez de escolherem o que o público em geral quer ouvir! Partilho da mesma opinião. O mesmo se aplica à RTP! A RTP que faça concurso aberto e dê oportunidade a compositores nacionais e estrangeiros! Precisamos de um som internacional na Eurovisão e não de um som para consumo interno do mercado musical português, pois os europeus, na altura de votar, não entendem! Só assim a RTP poderá entrar em competição séria com outros candidatos ao prémio final! Os compositores portugueses terão que ter visão internacional quando compõem temas para o Festival da Canção. Se não conhecem o evento ESC, deveriam dedicar-se a ver pelo menos a edição passada para saberem do que se trata, pois o Eurovision Song Contest ainda é um festival de canções e de compositores, e não de intérpretes. O intérprete só dá brilho ao tema apresentado.  Espero que a RTP se apresente a concurso em 2016 com um tema potente e com melodia internacional, pois só assim teremos hipóteses de entrar em competição e estar de pé de igualdade com  outros países. 


Uma palavra final para o grande vencedor do 60º Festival da Eurovisão da Canção, a Suécia! Com isto, a Suécia já vai em 6 vitórias no ESC! Não há dúvida que a Suécia é um dos países mais bem sucedidos na  história da Eurovisão! A atuação do Mans Zelmerlow, a nível televisivo, está muito bem conseguida e conseguiu captar a atução do publico e dos jurados (se bem que foi mais pontuada nos júris do que no televoto). Logo que vi a atuação do Mans no Melodifestivalen, soube que a mesma iria vencer a final nacional na Súecia. A prestação do Mans em Viena foi idêntica, com ligeiras mudanças quanto ao design gráfico cénico!  Muitos parabéns à Suécia pelo título.


Aqui vamos nós, novamente para a terra da Santa Carola da Ventoinha, e da Charlotte Perrelli que nos leva ao céu!  “We are Heroes of Eurovision Time”...

Imagem: Movenotícias/Vídeos: Eurovision.tv
01/06/2015

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