[Crónica]: a saída da Roménia do ESC 2016


Esta semana anunciámos que a Roménia estava em risco de expulsão do Festival Eurovisão da Canção 2016 (ESC 2016) devido às suas dívidas para com a EBU [AQUI]. Hoje, saiu a confirmação de que, efetivamente, o país está desqualificado [AQUI]

A sensivelmente três semanas do certame, o país é desqualificado devido às exorbitantes dívidas que a emissora estatal romena Televiziunea Română (TVR) tem. Já no ano passado a emissora apresentava uma dívida de cerca de 15 milhões de euros. Isto é algo inédito, já com 55 edições realizadas, nunca houve no ESC uma desqualificação de um país a tão pouco tempo do concurso. 

A diretora geral da EBU, Ingrid Deltenre, pronunciou-se: "É com pesar que somos forçados a tomar esta decisão. Estamos desapontados porque nunca recebemos qualquer resposta do governo da Roménia a todas as nossas tentativas para resolver este problema". Ainda acrescentou: "Em semanas recentes, o ministro das Finanças avançou que a TVR poderá entrar em insolvência. A EBU é uma associação sem fins lucrativos cujos associados são 73 estações públicas de televisão e rádio de 56 países. As dívidas da TVR põem em causa a própria sustentabilidade financeira da EBU". 

Numa fase em que já decorrem ensaios, questiona-se, não sobre a legitimidade desta decisão, mas sobre o facto de ter sido tomada tão tardiamente. A verdade, é que talvez tenha sido, não uma boa decisão, mas a melhor para o país. A emissora TVR já apresentava uma dívida descomunal e, se participasse este ano, ia obviamente aumentar essa dívida. O facto é que a emissora encontra-se numa grande crise económica, e já esteve mais longe do colapso financeiro. Talvez assim, mesmo já encontrando-se num estado agravado devido às dívidas, não tendo que pagar este ano custos de participação e afins, não seja tão difícil encontrar uma solução para esta crise, se bem que já assim está bastante complicado... 

A questão que aqui se prende, e que a meu ver é bastante pertinente, é o facto de esta decisão só ter sido tomada agora, a escassos dias do concurso. Sim, a EBU teve a sua razão em desqualificar o país, porque não se pode "fechar os olhos" ao cumprimento das regras. As regras são iguais para todos, logo todos têm de as cumprir. Mas a EBU já tinha conhecimento desta divida há imenso tempo - a meu ver, esta decisão deveria ter sido tomada mesmo antes da seleção nacional romena. A função da EBU era fazer uma avaliação prévia da situação financeira da emissora TVR para averiguar se a emissora teria capacidade para suportar os custos de participação no ESC 2016 e que tivesse capacidade para reduzir as dívidas.

A minha posição perante esta decisão é muito clara: concordo plenamente, até porque se há regras são para ser cumpridas. Além disso, não se pode prejudicar a sustentabilidade da associação EBU, e até mesmo do próprio concurso. Apenas não concordo com o timing da decisão. Acho que é o mesmo que dar um chupa-chupa a uma criança, e depois tirá-lo. É destruir os sonhos. Sim, sonhos, porque apesar de se envolver muita burocracia, o ESC é acima de tudo um concurso onde muitas pessoas sonham um dia participar, é o festival dos festivais, participar neste concurso é um "abrir portas" para os artistas, para desenvolverem o seu trabalho e ganharem mais visibilidade. 

"Caros Amigos, acabei de receber o anúncio oficial da desclassificação da Roménia, estou a tentar sorrir e não ir-me abaixo, mas isto é tão injusto. Continuo a ser o mesmo artista, honesto e sincero, que venceu através dos votos do público, e mesmo assim continuo a ser apontado como um derrotado e contraproducente. Assim sendo, irei permanecer calado e manter uma postura imparcial". Estas foram as palavras de Ovidiu Anton. É muito triste quando já estamos a contar com algo, e depois alguém vem e tira-nos o sonho. É injusto, não a decisão, mas sim a altura em que foi tomada.

No entanto, a desqualificação da Roménia do ESC 2016 não tem grande relevância em termos de pontuação este ano. A sua entrada musical não era, de facto, das melhores, nem se destacava. 

A Roménia estreou-se no Festival Eurovisão da Canção em 1994 e o seu melhor resultado é um terceiro lugar por duas vezes: em 2005, com Luminita Anghel e a canção "Let Me Try", e em 2010, com Paula Seling & Ovi e a canção "Playing With Fire”. Em 2015 o país foi representado por Voltaj e a canção “De la capăt (All over Again)”, alcançando o 15º lugar na final com um total 35 pontos.

Recorde a atuação que o país iria levar ao ESC 2016 -  Ovidiu Anton e "Moment Of Silence": 


Relembre um dos melhores resultados do país (3º lugar) - Paula Seling & Ovi e "Playing With Fire”:


Vídeos: Eurovision Song Contest
22/04/2016

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