Crónica ESC 2016: 'A Eurovisão é um palco em que se fala de respeito!'


Parece que o tempo passa demasiadamente rápido. Espero eu um ano inteiro pela Eurovisão, e esta termina num ápice. Ainda me lembro como foi o ano passado, todas as indumentárias, todas as vozes, todos os grafismos e… este ano também já terminou.

Num ano que esperava tanto… algumas das minhas expectativas viram-se defraudadas. Não sei se é pela minha “sede” de querer ver sempre mais, de querer mais novidades, de querer ver grandes mudanças. Mas, a verdade é que velhos hábitos repetem-se, que GRANDES injustiças teimam em acontecer e que… Portugal, mais uma vez me desilude.
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Tenho de dar os parabéns à dupla que apresentou este certame. Com uma dinâmica fantástica, ambos abrilhantaram muito daquilo que se espera sempre mágico, foram eles que deram uma grande vida à edição deste ano. Pessoalmente, para mim eles representaram o melhor interval act dos últimos tempos. Num ambiente descontraído e bastante apelativo, cativaram fãs, artistas, a até mesmo tantas pessoas que desconhecem a intensidade, e a história deste festival. 


No que concerne aos grafismos, mais uma vez digo: não se exagere demais porque cai-se no ridículo. Isso aconteceu com a Rússia. Pessoalmente, achei coisas a mais, achei uma interpretação sem nexo, que tantos diziam ser “brutal” e eu não achei nada interessante. Este é um caso de que a simplicidade (por vezes) pode compensar. Contrariamente, a simplicidade da actuação da Polónia fez esta destacar-se  - muito para além daquilo que esperava que esta conseguisse.

Até hoje, rejubilo de satisfação de poder ver que a Eurovisão e mais do que um aglomerado de caras bonitas e de corpos semi-despidos. A Eurovisão é um palco em que se fala de respeito, em que se grita o amor, em que se luta por ideais e pela igualdade. 

Este ano foi um exemplo claro disso. Podem-me dizer que é política. Na minha humilde opinião é somente “A VERDADE!”. Há que dizer o que se sente, e fugir daquilo que foi a realidade de tanta gente, e fugir de quem somos, fugir da humanidade em que estamos, é contribuir para que tantas e tantas pessoas passem por aquilo que nós temos a sorte de desconhecer.


Se querem que vos diga, a vitória da Ucrânia foi esplêndida. Foi um grito de liberdade dado num palco que tantos milhões de pessoas vêem. 

É nestes momentos que sinto orgulho quando defendo este meu gosto, quando digo que sou um fã incondicional do certame, quando comento tudo o que se passa na imprensa nacional e internacional.

Mas… todos nós temos gostos pessoais distintos, e apesar de gostar do tema que representou a Ucrânia, a minha grande favorita sempre foi a Sérvia. Detentora de uma voz fantástica e de um tema completamente ousado, foi esta artista que primou pela diferença, foi ela que nos mostrou uma personalidade bastante diferente e ousada. Toda a interpretação, toda a dinâmica e toda a vivacidade, certamente deixará uma boa marca na minha memória.


Confesso-vos que senti um ligeiro desconforto na hora das votações, o novo sistema originou-me alguma confusão e senti uma injustiça – ainda de que muito residual – de ver a Austrália a conseguir o primeiro lugar (na votação do júri). Ainda não me habituei à entrada de um outro participante, do que os pioneiros países europeus. Temi, temi que numa segunda participação este pais já conseguisse uma vitória – apesar de considerar que apostam em grande neste festival.


E como não gosto de “chorar sobre o leite derramado”, e como não ando por aí revoltado só porque o pais que eu gostava não ter ganhado, sinto-me feliz pelo desfecho deste ano.

Contudo, não posso deixar de dizer que não gostei do palco, não achei nada de interessante e, ao mesmo tempo, um pouco fraco para o pais organizador que este ano acolheu o festival. 

Resta-me então acreditar num novo regresso de Portugal e, quando falam em GRANDE regresso, que não seja algo sem expressão, algo que perpetua os maus resultados deste nosso pequeno mas ao mesmo tempo tão grande pais. Espero que se aposte em tudo o que esqueceram-se, que se valorizem os interpretes, que se ouçam as letras, que se respeitem os tempos. Não quero que o meu pais volte como sempre voltou, com uma posição de perdedor, com um descrédito enorme, com uma vergonha implícita dentro de si mesmo.


E quanto à Eurovisão, que continue por ente caminho, que seja proclamadora de ideais, de fortes e verdadeiras causas, que seja o porto-de-abrigo de tantos gritos de verdade. Que seja muito mais do que um espectáculo de luzes e de caras larocas. Se seja… o palco de serve de exemplo de compreensão e respeito para os maus jovens que, felizmente, interessam-se por todo este festival.

Imagens: eurovision.tv e stern.de/Vídeos: Eurovision Song Contest
21/05/2016

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