Crónica ESC 2016: 'A Eurovisão serve para unir todos!'



Mais uma edição terminou. Ainda vamos a quase meio de maio e a Eurovisão já só volta para o ano. Por muito que uma edição seja melhor ou pior que as suas anteriores, deixa sempre saudades. Este é um certame que deixa sempre imensas saudades, e é por isso que todos os dias seguimos as notícias e opiniões eurovisivas para esquecermos que ainda faltam 300 e poucos dias para o seu regresso.

Em termos cénicos e visuais, a edição de 2014 arrebatou completamente o meu coração de fã. 2016 esteve muito longe de ser perfeito a este nível. Toda a utilização e apresentação de materiais parecia com que tudo ficasse muito frio, não deram aquela magia que costuma acontecer. Apesar de terem conjugado as linhas clássicas com as modernas, considero que este ano houve muitas poucas propostas apresentadas que puderam elevar a Eurovisão a um outro nível, o que é, de facto, uma pena.

Até o palco estava pobre. Não sei, talvez por ser demasiado simples, mas achei que o palco não tinha graça alguma. Lembrando-me do fantástico palco em 2008 na Sérvia, que, a meu ver, é o melhor, sinto que este também pouco ou nada acrescentou às atuações. Apesar de terem existido cenários bem engraçados este ano, ficou-se apenas por aí.


O mesmo digo do design geral da Eurovisão e dos postcards. Sim, também foram giros, como alguns cenários apresentados nas atuações. Mas nada foi explorado até ao limite, o que poderia ter sido feito sem quaisquer reclamações. Pareceu que foi tudo feito a correr. A Suécia pode ser, de facto, um arraso na competição eurovisiva, mas a organizar... mais uma vez, foi uma desilusão.


Porém, nem tudo é mau! Pontos positivos para a dupla de apresentadores (admito que o Mans me surpreendeu, e a Petra poderia ser a apresentadora oficial da Eurovisão para sempre), para a escolha do slogan da edição (tem tudo a ver com a situação europeia que se vive atualmente) e para a grande aposta nos interval acts (adorei a performance em homenagem aos refugiados, bem como nas várias atuações de Mans Zelmerlow - apesar de aquela com as crianças já ter sido usada pela Loreen - e pelo arraso do Justin Timberlake). Em relação a este último, se trouxe algo de novo para a Eurovisão? Não! Mas que fez manchete de vários jornais pelos bons motivos, lá isso fez. E acho que isso é o que realmente importa!

Ah, e não posso deixar de falar do novo método de votação. Estava reticente a este método antes de o ver, mas palmas! Completamente alucinante! Deu-me um ataque de nervos até ao fim, e tornou tudo mais excitante e louco. Além disso, foi engraçado rir-me várias vezes do mau gosto que muitos jurados têm. Palmas também para o mau gosto dos jurados!



Por falar em resultados, as semifinais trouxeram imensas injustiças. Imensas! Na 1ª semifinal, o maior escândalo foram as não-passagens da Islândia e da Bósnia. A primeira teve a melhor prestação que eu já vi de Greta com este tema. A da Bósnia, apesar de ter levado indumentárias horríveis, mereciam pela música e pelo instrumental.

Ao invés, o Azerbaijão, a Malta e a Áustria bem podiam ter ficado retidos nas semifinais. Samra foi suficiente inteligente para perceber que não canta muito bem, e meteu o coro a cantar o refrão por ela. E a Malta trouxe uma das piores prestações em palco deste ano - a sério, o que foi mesmo aquilo? Em relação a Áustria, não tenho muito mais a dizer - nunca simpatizei com a canção nem com os sorrisos de Zoe, também não podemos gostar de toda a gente, sucesso para a sua carreira!



Já a 2ª semifinal, as maiores injustiças foram a Bielorrússia e a Macedónia. O Ivan melhorou imenso e foi um dos artistas que mais se esforçou para surpreender pela positiva na Eurovisão. Tenho muita pena que nunca valorizem países como a Bielorrússia - das melhores prestações deles na Eurovisão. Já a Kaliopi, não há mesmo palavras, a mulher arrasa em cada nota que canta. Para mim, a melhor voz da edição foi a dela, e foi um crime não ter estado na final. 

Por falar em crimes, foi um crime a Geórgia ter passado. Okay, os planos de câmara e jogos de luzes estavam fantástico. Mas se fosse Portugal a levar isto, e sendo a música de compositores portugueses (se é que todos me compreendem), não estaria de certeza na final. Até os Homens da Luta eram melhores que os da Geórgia, ao menos faziam-me rir.

Em relação à Grande Final, o top 3 não foi surpresa para ninguém - já todos sabiam, penso eu, que iriam ficar naquelas posições os países que, de facto, ficaram. Porém, o mesmo não posso concordar com os lugares seguintes: não faço a mais pálida ideia como a Bulgária ficou em 4º, a Suécia em 5º e a França em 6º. A França sempre pensei que fosse um flop, a Suécia trouxe uma das piores músicas da edição (se fosse Portugal a levar, ficávamos em último lugar da semifinal com 0 pontos) e a Bulgária foi a única que me surpreendeu pela positiva. É um país que merece este 4º lugar, porém não acho a música búlgara nada de extraordinária.



Como já falei da Suécia e da França, os restantes pré-finalistas foram uma desgraça. A Espanha foi uma autêntica confusão em palco, tal como o Reino Unido e a Itália. Duvido muito que conseguissem a passagem se não fossem finalistas diretos. O maior crime dos BIG 5 foi mesmo a posição alemã. Como já calculava, quase ninguém compreendeu Jamie Lee, mas esta miúda tem um enorme talento e um gigante potencial, e foi um prazer ouvi-la a cantar "Ghost". Das melhores da noite, sem dúvida!

Quase todos os lugares restantes foram injustos, para mim. Este ano fiquei bastante revoltado com os resultados finais. Letónia, Israel, Arménia, República Checa, Hungria e Sérvia mereciam lugares melhores do que aqueles que tiveram. Já a Bélgica, Holanda, Azerbaijão, Malta, Geórgia e Áustria foram demasiado valorizadas, ficando à frente de muitas canções que eram superiores. 

Uma surpresa positiva foi a Lituânia e a Polónia que mereceram e deram um outro ar ao top 10 - pois este costuma sempre ser ocupado pelos países do costume. Já a Croácia e o Chipre foram as grandes desilusões da noite, e foram justos os lugares que ocuparam.

Por fim, parece que andam a fazer as panelinhas para a Austrália vencer o ESC. Dami Im foi boa, mas não foi ótima, e não merecia o 2º lugar que ocupou. Foi um exagero, e cada vez mais sinto injustiça ao saber que a Eurovisão pode ser vencida por um país não-europeu. Se é para isto, que criem de uma vez a Worldvision!



Para terminar, sempre quis que a Arménia, a Rússia ou a Ucrânia vencessem. A Arménia por ser a minha favorita e por achar que trouxe a proposta mais moderna da edição; a Rússia por trazer um ótimo cantor e uma excelente coreografia com efeitos visuais; e a Ucrânia por transmitir uma mensagem importante nos tempos que correm.

Mas lá está: estou a avaliar canções e cantores, não países. Se eu gosto das leis que a Rússia tem? Não. Mas, ao discriminar um país por isso mesmo, estou a ser igual a ele! A Eurovisão é, ou devia ser, um concurso de canções - e irritou-me profundamente os fãs eurovisivos, que não devem ter um trabalho ou um namorado/a para se entreterem, fazerem um complô contra o Sergey. Mas não há respeito hoje em dia? É com estas atitudes que muitos fãs se afastam uns dos outros, e não devia ser este o espírito eurovisivo. A Eurovisão serve para unir TODOS, não serve para deitar abaixo PESSOAS - sejam elas fãs, artistas ou delegações. Ou é as gémeas, ou é a Polina, ou é o Sergey. A sério, já chega desta palhaçada! Já chega de porem sempre a Rússia de parte! A emissora russa não tem culpa das políticas do Putin! Chega! Somos todos adultos, seres pensantes! Acho eu. O Sergey foi fantástico ao vivo, e se ganhasse também seria um excelente vencedor eurovisivo! Ponto final, parágrafo.



Já agora, a Ucrânia também foi uma excelente vencedora. Fugiu dos moldes vencedores dos últimos anos, e deu para perceber que tudo na Eurovisão é inesperado e ninguém tem a fórmula certa para ganhar o concurso. "1944" tem recebido críticas por ser um tema político. Não o considero, de todo. É, sim, a meu ver, um tema com uma dimensão histórica. Se tem nuances políticas? Tem. Se elas pretendem alterar algumas políticas atuais? Talvez sim, talvez não, apesar de se falar de um acontecimento que tem mais de meio século. Mas é essencialmente histórico, e tem todo o valor por isso. Não vejo qualquer ataque a nenhuma figura política nem nada disso. O que a letra tenta mostrar é o sofrimento das vítimas. Simplesmente, o sofrimento. Mas, mesmo que não tenha razão, ao menos foi entregue a vitória a uma excelente cantora, nota-se claramente o seu profissionalismo e a sua verdade quando canta. Parabéns, Jamala!


Agora é só esperar mais um ano pela Eurovisão. A RTP já anda a prometer um regresso português em grande. Se eu acredito nisso? Não. Dizem sempre a mesma coisa todos os anos. Mas enquanto há vida, há esperança...

Imagens: eurovision.tv e stern.de/Vídeos: Eurovision Song Contest
20/05/2016

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