Crónica ESC 2016: 'o jogo da Eurovisão'


No passado sábado, terminou mais um Festival Eurovisão da Canção. Com a chegada do final de mais um certame musical Europeu, posso afirmar que, para mim, esta foi das melhores edições de sempre.

Antes de um Festival Eurovisão da Canção começar, fico sempre a pensar na "trabalheira" que organizar um evento tão grande quanto a Eurovisão deve dar, e a organização sueca à semelhança de 2013, não desiludiu! A Suécia mostrou como se faz um grande evento, e como cativar todo o público envolvente do mesmo. Contudo, a sensação, talvez seja uma falsa sensação, que me dava era que o palco era, de facto, pequeno. Relativamente às apresentações de cada país, acho que estavam bastante simples e, na minha opinião, não eram suficientes para conhecermos  de forma eficaz cada representante. A apresentação do evento, foi na minha opinião, a melhor em toda a história do Festival Eurovisão da Canção. Os anfitriões  Petra Mede e Måns Zelmerlöw demonstraram como se torna um evento de longa duração, num certame dinâmico, com sentido de humor, e que não nos deixa com vontade de dormir.

           

Aqui está uma das grandes injustiças do Festival Eurovisão da Canção 2016. Embora ache que a "malandra" da Greta Salóme gostou demasiado dos efeitos de Måns Zelmerlöw em 'Heroes' e do tema 'Euphoria' de Loreen, este era um tema que merecia ter chegado a bom porto, e que, por razões que desconheço, não conseguiu alcançar esse objetivo. Sou sincera, se fosse a escolher o melhor tema da primeira semifinal, este certamente não seria a minha resposta imediata, mas tenho que admitir que já canto isto em todo o lado. Este tema tem tudo: voz, movimento, efeitos, e no entanto não foi valorizado por essa qualidade que o caracteriza.

Se por um lado não entendo como este tema não chegou à Grande Final, por outro lado também não compreendo como é que o tema 'Miracle' do Azerbaijão conseguiu alcançar a mesma. Apesar de serem temas bastante diferentes em todos os aspetos, continuo a achar que o tema de Greta teria conseguido alcançar um melhor posto na final do concurso.


             

             

É impossível pensar na segunda semifinal e não me lembrar daquela que para mim, foi a SENHORA deste Festival Eurovisão da Canção. Sempre valorizei, e continuo a valorizar o facto dos países cantarem na sua língua materna. Sim, é verdade que não entendemos nada do que dizem, mas é nestas performances que se vê quem realmente demonstra orgulho e felicidade por estar a representar o seu país num evento europeu, e volta o realçar a palavra 'EUROPEU'. Até pode nem ser a melhor música das que não conseguiram alcançar a Grande Final, mas Kaliopi, com o tema 'Dona' conseguiu fazer com que me arrepiasse com o seu talento e voz. Para mim, era uma das CLARAS merecedoras de chegar à Final. À semelhança de Kaliopi, IVAN foi um dos "injustiçados" da segunda ronda do festival. Com um tema ao qual ninguém dava valor, mas que conseguiu surpreender tudo e todos, com a sua voz (que melhorou muito desde o evento nacional) e claro, com todos os efeitos que preencheram e complementaram a sua atuação. A Europa anda com os gostos um pouco... estranhos, o facto de optarem por um música com a da Georgia em vez de alguns temas de alta qualidade que foram deixados para trás, é algo que sinceramente, me assusta. A Eurovisão está a perder cada vez mais o seu valor, e são algumas escolhas como estas que fazem com que o evento seja cada vez mais desvalorizado.

              

              

              

Relativamente à Grande Final, decidi dividi-la em três partes, em primeiro lugar, o tema que eu achava como o "garantido vencedor" e que afinal, não conseguiu alcançar o objetivo pretendido. Em segundo lugar, o tema que eu apoiava que "só fez asneira" na hora 'H'. Em último lugar, a canção que eu andei sempre a criticar (peço desde já desculpa por isso) e que na Grande Final fez-me apaixonar pela sua letra.

A Rússia chamou-me à atenção nas últimas semanas antes de começar o festival. Surpreendeu-me por toda a especulação se a rodeava nas redes sociais e mesmo nos polls criados por diversos websites internacionais. É um tema que chama à atenção mais pelo grafismo que o acompanha do que propriamente a voz do interprete (não que esta seja má!). É um tema que chama à atenção pela seu ritmo, batida e força, mas que infelizmente não alcançou aquilo que a maioria do público eurovisivo tanto ambicionava!

Relativamente aos nosso nuestros hermanos que em geral apoio sempre nos festivais, 'Say Yay' interpretado por Barei foi um tema que na primeira vez que ouvi pensei "Temos aqui a vencedora do festival de 2016", o que de facto era positivo não só para a Espanha, mas também para mim uma vez que sempre desejei assistir ao vivo a este certame. Contudo, à medida que foram divulgadas imagens dos ensaios e até mesmo da primeira atuação feita na primeira semifinal, verifiquei que faltava alguma 'luz' à performance e que a energia que caracterizava o tema na sua versão de estúdio, não estava, como deveria,  presente na atuação ao vivo.

Por último, mas não menos importante está o tema israelita, que foi alvo das minhas criticas ao longo do festival, e que me fez apaixonar por um tema simples, com uma apresentação igualmente simples, mas que enche o palco e as nossas almas com a sua letra, voz e atuação. Num mundo rodeado de guerra, é necessário realçar que somos todos ESTRELAS! Os meus sinceros parabéns a Israel!

             

É impossível passar por esta edição e não falar do tema vencedor. Numa época em que a política é cada vez mais desvalorizada, a Ucrânia, um país que esteve sempre subordinado e dependente de outros, fez com que o tema recebesse um pouco de mais atenção de forma momentânea.

Sempre fui uma apaixonada por História, e especialmente sobre os regimes de limitação e ditaduras que apenas tinham como objetivo mostrar ao Mundo o seu (pseudo) poder através da subjugação dos outros, como é o caso dos Estados Unidos da América e da antiga URSS. Independentemente do que sucedeu naquele tempo com o qual podemos encontrar na atualidade muitas semelhanças, a Ucrânia mostrou neste festival que cada um joga com as armas que tem. Não é um tema particularmente forte, mas é um tema que toca devido à sua história e, essencialmente pela energia transmitida pela interprete Jamala. Esta forma de demonstrar ao mundo o sofrimento do povo ucraniano tem sido alvo de inúmeras e pesadas criticas que afirmam ter derrubado as hipóteses da Rússia ter saído como vencedora desde festival. Apesar de ser defensora de não misturar assuntos não relacionados, penso que a Ucrânia fez uma jogada BRILHANTE não só a nível musical e cultural como também, e principalmente a nível político.

Na minha opinião, o Festival Eurovisão da Canção tem vindo, ao longo dos tempos a perder a sua credibilidade, e é nestas alturas que este nos surpreende. A vida, a música e nomeadamente a Eurovisão não passam de jogos de interesses, mas é nestas alturas que se vê que há jogos muito piores para se jogar...

PARABÉNS, UCRÂNIA!

Imagem/Videos: Eurovision.tv
19/05/2016

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