Crónica: 'E se Portugal ganhasse a Eurovisão?'


O que deveria Portugal fazer se ganhasse o Festival Eurovisão da Canção (ESC)? Que qualidades o nosso país tem para organizar um evento europeu?

Aqui há uns tempos estava a falar com uma grande amiga minha sobre o Festival Eurovisão da Canção. Nesta conversa como é óbvio, soltei o meu "grito de revolta" pelo facto de Portugal nunca ter conseguido ganhar o evento, e, na minha opinião, essas constantes derrotas não são por falta de qualidade.

Durante esta conversa, a minha amiga, com a qual cresci e desenvolvi a paixão pelo Festival, mencionou que o 'Meo Arena' era maior do que todos os pavilhões por onde a Eurovisão passou, ao início duvidei desta informação que me parecia um pouco exagerada. Mas após uma pequena pesquisa verifiquei que afinal a ideia da minha amiga não era tão descabida como parecia. 

Ora vejamos, a Globe Arena, local onde se realizou o Festival Eurovisão da Canção 2016, ao contrário do que parecia nos "pequenos ecrãs" que temos lá em casa, era um pavilhão relativamente pequeno, uma vez que tem apenas 16 mil lugares, enquanto que o pavilhão português possui 20 mil lugares.


Vários artistas, nacionais e internacionais afirmam que o público português é um dos mais fortes e dos mais calorosos não só a nível europeu mas também mundial, mas será que de facto é algo verdadeiro, ou será apenas um comentário simpático facilmente esquecido com o passar do tempo?


Portugal nunca ganhou o Festival. Ou melhor, Portugal nunca ganhou nada. Quer dizer, Portugal nunca é valorizado por aquilo que fez e faz. Mas... o que faria Portugal caso ganhasse o maior evento de música europeu? Como é óbvio, o local seria bastante fácil de escolher: Meo Arena, seria com certeza o local de realização, mas pergunto-me: Será que a RTP, que tem alguma dificuldade (para não dizer bastante) a organizar o concurso nacional, teria capacidade para organizar um evento TÃO maior como a Eurovisão? Como é óbvio, era necessário algum sacrifício, não me estou a referir apenas a nível monetário, mas principalmente em termos imaginativos, que sinceramente, penso que é o que falta à nossa estação pública que parece não saber acompanhar o ritmo dos dias de hoje e da sociedade capitalista em que vivemos.

O nosso ambiente festivo era algo que seria fenomenal para a organização do evento. Consigo, e sei que um dia a cidade de Lisboa estará num ambiente onde será possível sentir o "cheiro" da Eurovisão, mas o que será que falta? Será que somos assim tão maus? Será que somos os "incultos" da Europa? Na minha opinião, não nos falta nada. Ou melhor, não é a nós que falta, mas sim à Europa que tem CONSTANTEMENTE desvalorizado o nosso país (e outros, porque sinceramente a Eurovisão parece estar a tornar-se num concurso de inglês, ou numa demonstração de sotaques...) e a nossa história.

Mas como é óbvio, a culpa não é só da Europa, a nossa RTP tem também alguma culpa no cartório: ao longo dos anos parece que a estação tem dado ao Festival cada vez menos importância, deixando que cheguem a concorrentes canções que envergonham o nosso país e fazem com que o mesmo seja visto cada vez mais como o "país dos 'zés de bogode' e da 'vinhaça". Como é óbvio segundo os novos
Media temos que ver tudo pelo lado que dá mais lucro: é inegável que a Champions League é uma mina de audiências em comparação com o Festival, mas de que forma é que esse evento de futebol contribui para a cultura do país? (atenção: adoro futebol e não quero de forma nenhuma desprezar o trabalho que os jogadores desempenham!)

Mas eu sei que um dia o MEU Portugal vai mostrar aquilo que somos feitos. Porque, como dizem os Amor Electro, Juntos somos mais fortes!


Portugal tem o sonho. Nós temos o sonho, mas principalmente a lembrança: tenho 19 anos de idade, e lembro-me de ver a minha família a ver o Festival com uma garra como se de um campeonato de futebol se tratasse (fiz esta comparação, porque geralmente é tudo o que o português quer saber - não esqueçamos os três F's). Lembro-me de  chorar ao ouvir a 'Senhora do Mar', e de a minha mãe dizer "É desta que vamos ganhar isto!", mas não foi... não foi e, na minha sincera opinião, não querendo ferir mentalidades, foi a partir dessa "derrota" que o nosso povo, as nossas músicas e o próprio festival começaram a entrar ainda mais em decadência. De que vale querer mostrar à Europa as nossas origens e a nossa cultura se ela só se preocupa com os 5 Grandes (principalmente a Alemanha...)?

Como já devem ter reparado, valorizo, gosto e amo o meu país, e não coisas que me irrite mais do que a visão simplória e um pouco (bastante) rude que a Europa tem do nosso país como o país da cortiça, o país do peixe, e pior que tudo... dos pobrezinhos (ao menos, não somos pobrezinhos de mente, como alguns dos grandes da Europa são... e agora tentem adivinhar a quem me refiro).

Imagens: Wikipedia.com, ideiaseopiniões.com e wiwibloggs.com
16/06/2016

2 comentários:

  1. Não seria certamente com a senhora do mar que ganharíamos...

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  2. Gostei muito mesmo do texto! Permite-me apenas discordar de uma coisa: "De que vale querer mostrar à Europa as nossas origens e a nossa cultura se ela só se preocupa com os 5 Grandes (principalmente a Alemanha...)?" não concordo com o que disseste, até porque se se preocupassem sobretudo com a Alemanha, não teriam ficado 2 anos seguidos em último.
    ps: Não fazia a mínima que o MEO Arena era maior que todas as arenas que organizaram a Eurovisão!

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