O Regresso da Dona Gertrudes: Quarto texto - 'Playing With Numbers' de Molly Sterling


Olá meus queridos… Hoje sinto-me extremamente bem comigo mesma. Estive a ler um daqueles livros do Gustavo Santos enquanto apanhava sol e ouvia as músicas da Eurovisão deste ano. É impossível imaginar algo melhor para fazer a um domingo à tarde, não acham? É isso ou eu estava a usar o poder da ironia. Mas vamos ao que interessa. Hoje apresento-vos uma das razões para a Irlanda ser fail atrás de fail ultimamente. “Playing with numbers”, a música do ano passado, não só é uma valente seca, como ainda tem uma letra mais difícil de perceber que um poema do Fernando Pessoa em formato Ricardo Reis.


“Do I owe you something?
I think I do
They tied our hands
But I cut through

In the arms of the potion
They found our truth
And I made a girl
Abandoned youth

And I made the mess in your vision
And I see a debt to be paid
To give a little love was all I wanted
Give a little love was all my intent

And I was playing with numbers
And I didn’t know what it meant

Please don’t remind me
I won’t be your muse
Fragile misguided minds like mine
Only know how to use

Oh, while I played with white lies and fiction
Unbeknownst to you
I played the victim
Well that was the last time I faced you

And I made the mess in your vision
And I see a debt to be paid
To give a little love was all I wanted
Give a little love was all my intent

And I was playing with numbers
And I didn’t know what it meant

I can watch from afar, from my art on my own
All along I was lost, I was wild, this is wrong
I can’t force this, just watch as the surface surrenders it all

I made the mess in your vision
And I see a debt to be paid
To give a little love was all I wanted
Give a little love was all my intent

I was playing with numbers
And I didn’t know what it meant”


Esta talvez seja a canção menos plausível de ter uma história que vos apresento aqui, mas nem por isso deixa de ser interessante. A canção começa com a frase “devo-te alguma coisa?”. Esta devia ser a última frase da canção para podermos responder prontamente: “sim, deves-me 3 minutos de vida que nunca vou recuperar”. Ela deve-me isso, e a minha vizinha da frente deve-me 10€ que me pediu emprestados há dois anos e nunca mais me devolveu. Podia dizer que não guardo rancor, mas guardo … e muito. Ainda na mesma quadra, ela diz que lhe ataram as mãos (a ela e a mais alguém) mas que conseguiu escapar. Das duas uma: ou lhe ataram as mãos muito mal ou ela tinha uma tesoura ou coisa que se pareça a jeito. Faz lembrar aquelas séries e filmes em que há sempre uma personagem com uma lanterna no bolso porque pode vir a dar jeito. 

Era de esperar que isto melhorasse. Não. Isto é das letras mais estranhas que já ouvi na Eurovisão e dava análise para um livro inteiro. Notem que, na estrofe seguinte, aparecem poções com braços que possuem a verdade deles (dos que estavam amarrados, suponham). Tendo eu visto os filmes do Harry Potter, até admito que uma poção possa revelar verdades, mas daí a aceitar que uma poção tenha membros, vai uma distância tão longa quanto aquela que separa a Irlanda das vitorias neste século.


Quando te dizem que as poções têm braços:


Passando ao refrão, a rapariga diz que fez uma porcaria com a visão sabe-se lá de quem. Ou ela é oftalmologista, ou decidiu que era divertido espetar coisas nos olhos de outra pessoa. Recordam-se do primeiro verso? Pois bem, ela aqui diz que a dívida precisa de ser paga. Não a quero desiludir, mas a menos que ela tenha inventado a máquina do tempo, é impossível pagar esta dívida e dar-nos os três minutos de volta. Claro que desculpamos tudo porque ela só nos queria dar o seu amor. Isso e brincar com números. Uma pena que ela não saiba o que é. Alguns de vocês e dos meninos aqui deste blogue devem lembrar-se daquele famoso jogo, o “24”. Isso é uma excelente opção do que seja brincar com os números, mas a Molly é demasiado nova para se lembrar desse jogo. Mandam cachopas à Eurovisão e depois queixam-se.


“Por favor não me lembres, não vou ser a tua musa” – um prémio para quem me explicar o que raios é que isto tem a ver com todo o resto. Eu sei que nada tem a ver com nada nesta música, mas isto já é exagero. Sorte a dela que tem uma mente frágil e portanto suponho que frases soltas é o máximo que uma mente frágil consegue fazer.

03/07/2016
Vídeo: Eurovision.tv

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