ESC Gentlemen - Quarto Texto: 'E quando os Gentlemen flopam...'



"E QUANDO OS GENTLEMEN FLOPAM..."

Em todas as edições do Festival Eurovisão da Canção surgem artistas cujo favoritismo é atribuído, mas, após a sua primeira performance, ou até mesmo o primeiro ensaio, muitos desiludem e passam diretamente para a categoria de “flopados”.

Á primeira vista, recordo-me logo de Amaury Vassili, intérprete francês em 2011. Pela primeira vez, a França apresentava uma proposta diferente, uma canção cantada, na íntegra, na língua da Córsega. Amaury é um cantor lírico, o que também o diferencia, uma vez que não é um estilo muito comum apresentado pela França. A versão estúdio desta canção está muito bem conseguida, com uma batida de fundo que atribui uma certa intensidade. No entanto, na atuação final, a melodia foi praticamente abafada. Portanto, sobrava o poder vocal para salvar a performance. Nunca tive dúvidas que ele existisse, aliás, diria que Amaury tem “voz até ao pescoço”, mas o seu nervosismo atraiçoou o seu desempenho. De uma canção que tinha tudo para ter sucesso, que marcava pela diferença, surgiu uma interpretação pouco conseguida, que não correspondeu às expectativas.



Robin Stjernberg é um dos intérpretes suecos do qual dificilmente me irei esquecer em todo o certame. Sempre gostei da sua canção “You”, a sua letra e a sua melodia. Robin foi atirado para a Second Chance nas eliminatórias do Melodifestivalen, e a sua vitória era imprevista. Apesar disso, tinha confiança que tivesse algo a dizer na Eurovisão. Afinal era a Suécia e jogava em casa! Robin estava extremamente nervoso, e logo quando deu a sua primeira nota, não a conseguiu prolongar. O público aplaudia e dava ânimo para que as coisas se alinhassem. Houve algumas alterações na apresentação em palco. Apesar de compreender o porquê dessas mudanças, não resultou como o esperado e não foi transmitida a ideia. A fasquia estava muito elevada após a vitória estrondosa de Loreen no ano anterior, mas ainda assim esperava-se uma melhor classificação para a equipa da casa. A Suécia não conseguiu ir além do 14º lugar.



Apesar de existirem diversos nomes que poderia referir, aponto desde já os mais recentes: Amir, Minus One, Jüri Pootsmann ou Lighthouse X.

Este ano a França está nas bocas do mundo. Organizou o inesquecível Campeonato Europeu de Futebol de 2016, e foi notícia ao longo do ano por diversas questões políticas. Já que está na onda nas organizações, poderia ter sido muito bem apontado como o vencedor desta edição do ESC. Após uma sucessão de maus resultados, a França conseguiu um honroso 6º lugar, com uma canção bilingue, animada, que fica no ouvido, e com um intérprete muito carismático. É um ótimo resultado, mas que soube a pouco aos fãs eurovisivos que lhe atribuíam, pelo menos, um top 3.



O grupo Minus One estava no topo das minhas preferências de 2016. O Chipre é um patinho feio da eurovisão, e quase nunca o seu valor é reconhecido. Este ano não foi exceção. A sua passagem à final foi mais que merecida, mas o resultado pouco satisfatório. “Alter Ego” é uma canção bastante orelhuda. Talvez seja a que mais ando por aí a cantarolar. O intérprete é bastante competente, tem um visual marcante, e a performance do grupo em geral merecia bem mais do que o seu 21º lugar. É uma canção difícil de cantar, pela sua energia e pelo seu ritmo. Eu costumo dizer que, nalguns anos, o Chipre esmera-se! Mas quase sempre cai no grupo dos flops, como é o caso também do ano de 2011. San Aggelos S’Agapisa é uma das minhas performances favoritas de sempre. Já passaram 5 anos e ainda hoje lá vou eu ver esta atuação. Nunca encontrei uma justificação para a sua retida na semifinal, ainda por cima em penúltimo lugar.



O último lugar da primeira semi-final deste ano também consta na lista dos meus flops eurovisivos. No ano anterior, Elina Born e Stig Rästa compuseram e interpretaram “Goodbye to Yesterday”, que fez um enorme sucesso. Os mesmos compositores criaram “Play”, mantendo o mesmo estilo musical, a mesma linha, com a intenção de garantir o mesmo resultado. Mas o que sucedeu foi exatamente o oposto. A canção de Elina e Stig era bem melhor que a de Jüri Pootsmann, e por isso esta nunca me cativou. Mas também não esperava o pior resultado possível. Para os fãs, talvez este seja o último lugar mais injusto de sempre. De facto, não o merecia.



Já “Soliders of Love”, de Lighthouse X, cativou-me desde o primeiro minuto. As vozes não são as mais perfeitas do mundo, mas a sua junção funcionava lindamente, e a melodia era contagiante. Este era um mau resultado já esperado, mas no fundo, eu ainda tinha esperança que poderia ir um pouquinho mais longe.



Poderia aqui estar várias horas a falar de expectativas defraudadas, mas o que é certo é que, no meio de inúmeros resultados injustos, só um pode vencer, em cada ano de edição. Este ano foi uma intérprete feminina. Será que no próximo ano é a vez de um gentleman?

23/10/2016



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