ESC Gentlemen - Terceiro Texto: 'E quando mesmo com trapos são Gentlemen...'


"E QUANDO MESMO COM TRAPOS SÃO GENTLEMEN..."

O Festival Eurovisão da Canção é todos os anos marcado por algum galã ou galãs que nos enchem os olhos. Sim, porque neste concurso, a música não é o único fator que conta para o sucesso do artista. Sejamos sinceros, quando aparece um homem com as medidas certas, parece-nos que a música, mesmo que seja medíocre, torna-se perto de um fenómeno.

No texto desta semana falamos sobre os galãs que atuaram no ESC com outfits horrendos ou com trapitos apenas, mas que apesar desse deslize de moda, não deixam de ser o que nós sabemos, uns verdadeiros gentlemen. 

Começamos pelo gentleman português Carlos Paião, um dos maiores ícones da música portuguesa. Paião participou no ESC 1981 com “Play-Back. O tema era uma sátira aos artistas que cantavam em playback. O tema apesar de ter ficado bastante popular no nosso país, sendo ainda hoje ouvido inúmeras vezes, obteve o penúltimo lugar no certame que ocorreu nesse ano em Dublin, na Irlanda. Carlos Paião e os back vocals pareciam-me sinceramente os power rangers, ou então palhaços. As roupas não tinham pés nem cabeça. Usavam uma espécie de fatos de treino às cores, todos com cores diferentes. Percebo que a situação que se pretendia criar seria uma situação de alguma comédia, de ridicularizar algumas questões concretas, mas aquelas roupas eram o descalabro. No entanto, Paião não deixou de ser um gentleman pelo talento incalculável que tinha. Um grande senhor, um incrível intérprete e um distinto cantor da nossa pátria.   

Mas em 2006 também encontrámos umas roupitas sem jeito nenhum, como as do Dima Bilan. O jovem artista russo participou duas vezes no ESC: em 2006 com “Never Let You Go” obtendo o segundo lugar na final, e em 2008 com “Believe” tendo obtido a vitória nesse ano. Mas foi no ano de 2006 que se descobriu que Dima provavelmente teria problemas de visão, gravíssimos, diga-se de passagem. A indumentária com que Dima se apresentou no concurso era simplesmente ridícula para o programa. Parecia saído de um filme de ação com o Jackie Chan. Não compreendo como é que o deixaram atuar daquela forma, acho que devia ter sido barrado pelos seguranças. Mas parece que nada disto importou porque conseguiu um segundo lugar na final. Felizmente em 2008, Bilan apresentou-se com um outfit melhorzito, apesar de parecer estar preparado para um reveillon no Brasil. 



E o israelita Boaz Mouda, que em 2008 encantou com “The Fire In Your Eyes”, mas assustou um pouco com o traje de circo que vestia? As calças eram giram e adequavam-se ao corpo, mas aquele colete acetinado, que era aquilo? A única parte boa do colete era que permitia vermos os músculos bem trabalhados de Boaz. Opá, tudo bem, o colete era horrível, fazia parecê-lo um domador de leões do circo, mas ninguém reparou de facto nisso porque estavam todos mais preocupados a olhar para os músculos e para o sorriso do artista. Só aquele sorriso dá direito a um lugar como gentleman na nossa rubrica. O mesmo se sucede com Eric Saade, o sueco que representou o país em 2011 com “Popular”. Só nos conquistou porque tem um sorriso fofo, por isso e pelo seu talento o consideramos um gentleman. Mas jovem, atenção ao que vestes. A conjunção das peças não foi nada favorável. Além disso, parecia que estava a usar um colete de forças. E ainda mais, não consigo entender o porquê de insistirem tanto em levar casacos de cabedal ao ESC. Não acho nada nada elegante para o contexto. No entanto, não deixa de ser um artista admirável. 



Já Cezar, o romeno que cantou “It´s my life” em lírico no ESC 2013, surpreendeu com uma atuação bastante inesperada num sentido positivo. Marcou pela diferença e presenteou-nos com um tema que não é fácil de ser esquecido. No entanto, Cezar pecou ao escolher um traje demasiado espalhafatoso. Às vezes é bom ter um elemento na atuação que marque a diferença: ou o outfit, ou a música, ou a interpretação. Neste caso em concreto o romeno já tinha uma interpretação que se destacava, não precisava de outro elemento que o fizesse. Por vezes torna-se “too much”. Aqui não seria exigível haver mais um elemento fora do comum, porque pode distrair os telespetadores. A verdade é que, e apesar deste longo vestido ter tornado a atuação um pouco confusa, Cezar arrasou e é um gentleman para nós porque quebrou algumas barreiras e preconceitos. E ser gentleman às vezes não é só ter uma certa beleza física, mas sim ter atitudes que podem transformar o mundo num lugar mais compreensível e tolerante à diferença. 



E falando em trapos, quem é que se lembra do Serhat? Parece que o artista de São Marino parou nos anos 80. Por um lado acho o artista um homem charmoso, no entanto faz-me lembrar um artista de filmes pornográficos. Sinceramente, odiei tudo na sua performance no ESC 2016. O cantor vestia um terno cor de vinho com um chapéu da mesma cor. Um outfit nada ousado e remetia para o passado. Cada vez que recordo este tema e esta atuação, viajo automaticamente para os anos 80. O ESC deveria ser algo inovador, para o futuro, porque passado é passado. Se Serhat tivesse usado uma indumentária mais moderna, mais atual, talvez a atuação tivesse corrido um pouco melhor. Ou então não, porque “I din´t Know” é das piores músicas de sempre do Festival! 



Quem não precisou de se vestir maravilhosamente para ter uma atuação linda de morrer foi Freddie, o representante húngaro no ESC 2016.  O seu “Pioneer” deixou muita menina colada ao ecrã. Sim, eu fui uma delas! O jovem artista levou uma roupa muito simples, muito vulgar ao concurso: uma blusa branca , umas calças de ganga, um cinto castanho e umas botas castanhas . Sinceramente, não é o tipo de outfit que eu vestiria no Festival. No entanto, quem precisa de roupa quando se tem um Freddie? Este deus grego até podia estar nu (o que seria um sacrifício ver) que ia continuar a ser um dos maiores gatões que passou na história do certame. Vejamos, Freddie preenche todos os requisitos de um verdadeiro gentleman: é lindo de morrer, charmoso, tem atitude em palco, tem uma voz de arrepiar. É um talento enorme. Este é mais um dos casos em que usar trapos é indiferente. 


Enfim, com trapos ou farrapos, ser gentleman é uma questão de atitude. E para se usar qualquer trapito é necessário ter uma atitude do caraças! Estes foram os nossos gentlemen que mandam grande pinta mesmo com outfits de quinta categoria.  

16/10/2016
  
                         
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