[CRÓNICA] 'Onde já ouvi isto: Plágio na Eurovisão?'




Onde já ouvi isto: plágio na Eurovisão?



Plágio é um termo forte, frequentemente utilizado aquando da troca de acusações entre fãs de concorrentes adversários. Quem nunca satirizou uma “inocente” música após esta derrotar a nossa favorita? Nunca irei esquecer o tema russo de 2008 que, vindo diretamente da América, surripiou os nossos sonhos de uma merecida vitória. Terá este tema sido um plágio? Original não é decerto, basta recordar que o produtor de “Believe”, Timbaland, produziu, na altura, imensos hits de sucesso, todos com a mesma batida.


Neste texto vou listar alguns temas eurovisivos que apresentam semelhanças, às vezes demasiado notórias, com outros temas que os precederam. Não pretendo acusar ninguém de plágio, nem mesmo os autores de temas que são tão maus que nem merecem a honra de serem chamados de “música” – e acreditem que ainda são bastantes. Deste modo, escolhi cinco temas eurovisivos/festivaleiros, que serão apresentados e comparados com os seus temas “familiares”. E que comecem as hostilidades...

Comecemos logo com um tema de 2016, cabendo à Bélgica a honra de iniciar esta lista, tendo como “gémeo” o tema de Fleur East intitulado “Sax”. É verdade que muitos fãs de Laura Tesoro afirmam que o seu tema foi escrito antes do “Sax”, mas a verdade é que este último foi divulgado primeiro. Embora o tema possa ter sido composto há vários anos, é inegável a batida que relembra "Another One Bites the Dust" dos Queen. Mais ainda, a similaridade do tema reside ao nível da produção, algo que deve ter sido finalizado após a divulgação de “Sax”. Acusações à parte, as semelhanças são notórias.

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E porque não continuar com o ESC 2016? Mais especificamente com uma música que toca em rádios lusas (sim, já a ouvi na rádio enquanto cumpria o meu horário de trabalho) e que tem o selo de sucesso sueco. Estou, claro, a falar do “If I Were Sorry”, tendo como tema de comparação o, também conhecido, “Catch And Release” de Matt Simons. A forma serena de cantar é muito idêntica, com um ritmo pausado e uma melodia simplista – uma fórmula de sucesso nos dias de hoje.

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Já não é a primeira vez que a Suécia é acusa de “copiar” temas de sucesso, alterando fragmentos de músicas, e “inspirando-se” em sonoridades bastante conhecidas do público. Outro caso polémico remete para o tema vencedor de 2015, "Heroes", amplamente acusado de plagiar o tema de David Guetta “Lovers on the Sun". Muitas foram, e ainda têm sido, as acusações de plágio direcionadas aos temas suecos anteriormente explicitados, no entanto, pelo menos para a EBU, estas acusações não apresentaram fundamento, e nenhuma ação foi tomada com vista a punir os alegados responsáveis. Não cabe a mim julgar ninguém, e até serem provados culpados todos são inocentes, mas as semelhanças são evidentes…

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Continuando com uma vencedora, desta feita uma que aprecio bastante, mas que não se apresenta totalmente inocente no que toca a similaridades suspeitas – “Only Teardrops”, o tema dinamarquês que venceu o ESC em 2013. Aparentemente o toque “étnico” do tema não é tão original quanto se possa pensar, com uma intro muito idêntica ao tema dos K-Otic intitulado “I Surrender”. O próprio refrão também levanta algumas questões no que toca à originalidade…

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Antes de terminar, não podia deixar de dar um toque luso a este texto e, embora sejamos frequentemente parcos em qualidade no que toca a Festivais de Canção, com alguma pesquisa não é difícil encontrar alguns exemplos de alegados plágios – reforço a parte dos “alegados”! Recuando a 2010, recordemos um tema de Dennisa, tendo como título "Meu Mundo de Sonhos". Embora não seja uma música de sonho, existe algo na sonoridade de fundo que soa a familiar, nomeadamente a um tema de 2005, já ele pouco original… Estou a falar do bósnio “Call Me”, interpretado pelas Feminnem. Existem bastantes coisas que separam estes temas, começando logo pela qualidade, mas não podemos deixar de os considerar uns ”primos afastados”.

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Plágios, plágios, plágios… Sinto que chegamos a uma época onde quase tudo soa a plágio, e não me refiro só à Eurovisão. A indústria da música, pelo menos a mais comercial, parece enfrentar um duro desafio, com a originalidade a escassear. As músicas, à semelhança do que acontece na Eurovisão, são feitas a partir de receitas básicas, sendo concebidas para entrarem facilmente no ouvido. 

Na Eurovisão tolero mais facilmente que isso aconteça, dado que é um evento de curta duração (exceto para os verdadeiros eurofãs, que conhecem as músicas com semanas e até meses de antecedência). Deste modo, os compositores tentam criar temas orelhudos, com sonoridades atuais e que já nos conquistaram previamente de modo a ganharem os nossos votos. Se isto é correto? Claro que não! Mas as acusações de plágio são dificílimas de comprovar, e tornou-se muito complicado estabelecer a linha que separa (momento de publicidade antiga) o que é idêntico do que é plágio.  

Confesso que sinto falta de ouvir músicas eurovisivas que me surpreendam verdadeiramente e que consigam conquistar os meus ouvidos, não por serem familiares, mas por terem uma qualidade por apreciar. Infelizmente, não tenho grandes expetativas que este cenário venha a mudar, muito pelo contrário, acredito que teremos, cada vez mais, sonoridades “fórmula”, usadas para atrair a nossa atenção pelo tempo estritamente necessário, mas que nos irão “enjoar” a médio-longo prazo. 

A Suécia, cada vez mais o país-rei eurovisivo, é o exemplo perfeito no que toca a criar fórmulas eurovisivas de sucesso, tendo recorrido à sonoridade ABBA vezes sem conta e estando agora a ditar novas tendências no que toca à performance eurovisiva. É normal que os países queiram ter sucesso e tendam a “inspirar-se” nos países mais bem-sucedidos, mas no meio deste processo perde-se o mais importante: a essência cultural de cada nação. 


Por hoje, e por este mês, é tudo. Até a próxima, com mais um novo e sempre polémico tema.

Imagem: Eurovision.tv/Vídeos: Youtube
10/12/2016

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