ESC 2017: análise ao sexto dia de ensaios


Decorreu hoje o sexto dia de ensaios, no qual 8 concorrentes subiram ao palco em Kiev para fazer o seu segundo ensaio. Os vídeos dos ensaios foram disponibilizados e várias considerações podem já ser tomadas a partir destes. Atribuímos diversas categorias às performances de hoje e ficam aqui as nossas opiniões sobre elas.

VOZ

Enquanto que ontem assistimos a ensaios onde os intérpretes se focaram tanto no aspecto visual da coisa que até se esqueceram, consequentemente, que na Eurovisão também é preciso cantar - Montenegro, é pra ti -, durante o dia de hoje não se assistiu a ninguém cujo poder vocal ficasse aquém das expectativas de uma forma alarmante. Ainda assim, tivemos a performance surpreendente da Arménia. Não é que ninguém estivesse à espera de ser menos do que arrasado por Artsvik, mas não deixa de ser incrível a naturalidade com que ela se movimenta do início ao fim da canção, a soar como se estivesse a fazer playback. "Fly With Me" é, por certo, uma das canções mais difíceis de interpretar este ano, mas a intérprete da Arménia faz com que tudo pareça effortless e um autêntico videoclip


É importante ter a humildade de compor ou aceitar uma canção que saibamos que vamos ter a competência de a interpretar, que saibamos que se adequa mesmo à nossa voz, porque não só quem berra tem direito a ser premiado como melhor cantor. É por isso que tive mesmo de mencionar a Áustria nesta categoria. Nathan, para além de ter uma voz doce e radio friendly, tem um coro que funciona de forma impecável com a sua voz, que não a abafa. Sem dúvida que a Áustria foi das maiores surpresas para mim. Eu, que não dava cinco cêntimos por "Running On Air".


Ainda que não possamos dizer que o ensaio da Sérvia tenha sido péssimo, Tijana Bogićević não é tão boa intérprete como se fez parecer na versão estúdio de "In Too Deep". Não diria que desafina, mas que é possível sentir um certo descontrolo vocal em algumas partes da música, isso é inegável. Talvez para abafar essas fragilidades, o coro está demasiado alto, o que também não resulta. Temo um dos maiores fracassos do ano...


INTERPRETAÇÃO


"Breathlessly" é uma canção que obriga à existência de uma interpretação sublime, emotiva e que nos deixe com pele de galinha. A interpretação de Claudia Faniello não tem qualquer tipo de falha, mas a verdade é que a canção não nos consegue emocionar como a canção da Finlândia, por exemplo, ou até mesmo a de Portugal. A cantora é extremamente competente, mas a canção não permite que isso possa ser valorizado no seu máximo. Pessoalmente, penso que a única razão para eu não esquecer que esta atuação existe é o facto da intérprete de Malta estar finalmente na Eurovisão após 11 anos a tentar, o que para ela deve ser algo transcendente.


Tal como a canção maltesa, "On My Way", da Eslovénia, deixa-nos apenas com fé numa boa interpretação, visto que nada mais é marcante nem agradável de ver nesta proposta. Ao início, Omar é bastante competente, mas quando chega o refrão, lembramo-nos de que isto não vale mesmo nada e que ninguém devia ser obrigado a ouvir esta tentativa falhada de fazer falsetes. Para além disso, nada nos é transmitido, nenhum sentimento é despertado em quem ouve, para além do desejo de ver a música a chegar ao fim. Omar parece aquele familiar que depois de meia-dúzia de copos de vinho começa a fazer karaoke de músicas da sua infância. Qualquer lugar acima do último da semifinal será uma injustiça para os outros concorrentes.


PRESENÇA EM PALCO


A canção da Roménia tem feito um furor imenso entre os fãs, e tudo se deve ao carisma desta dupla e ao facto de serem completamente contagiantes em palco. A música pode ser uma porcaria, mas esta é mais uma daquelas provas de que a música é uma característica nas atuações tão importante como a voz, a coreografia, o cenário e tudo o resto. Quase que me esqueço (quase, atenção) de que detesto "Yodel it" com todas as minhas forças quando vejo a alegria deles em palco. Ilinca e Alex trazem à Eurovisão a diversão que a sua semifinal tem em falta.



O mesmo não se pode dizer da Macedónia. Apesar de "Dance Alone" ser uma proposta com tudo para dar certo, em palco deixa-nos a pedir por mais. Quem acompanhou as festas eurovisivas sabe que Jana Burčeska é uma graça de rapariga, um bocadinho awkward em palco, o que lhe dava personalidade. Pelo que pudemos assistir no ensaio, a coreografia, fraquinha, é demasiado repetitiva e não transmite naturalidade nenhuma. Apesar de simples, Jana não parece estar minimamente à vontade com ela. É uma pena ver uma das melhores músicas do ano falhar desta forma.


O mesmo se pode dizer da Sérvia. Posso justificar a minha desilusão com o facto de ter elevado as minhas expectativas ao máximo com esta canção, mas começo cada vez mais a perceber o porquê da Sérvia ter sido um dos dois países a ter zero pontos na press poll do primeiro ensaio. Mais do que estar desiludida a nível dos vocais, estou desiludida com o que fizeram com esta canção fantástica. Para já, Tijana aparece em palco com um vestido semi-transparente que dá a ideia de que a intérprete sérvia faz parte do elenco das Virgens Suicidas, com o pequeno twist de ter um bodysuit ousado por baixo. Em segundo, as danças que Tijana tenta fazer durante a performance são dignas de vergonha alheia, pois não vejo a necessidade de abanar a anca com uma música destas, principalmente quando se nota que ela não está à vontade ao fazê-lo.


PALCO

Parece que este ano ninguém quis arriscar fazer 3D mapping, não fosse isso ser feito por mais 40 países. Até aí tudo bem, se não tivéssemos 40 países a utilizar as suas próprias caras como cenário de fundo. Não há nada como ter amor próprio, mas tudo devia ter o seu limite. Veja-se o ensaio de Malta, em que Claudia Faniello parece que se está a engolir a si própria. No entanto, também houve países a surpreender pela positiva neste aspecto. A Áustria, este ano, tem uma das canções de que menos gosto e o palco que mais me agradou. O cenário está fantástico, e complementado com a lua e com o fumo no chão, faz mesmo parecer que Nathan está nas nuvens, o que tem tudo a ver com a canção. É mais uma prova de que não é preciso exagerar na inovação para se fazer magia em palco. O mesmo se pode dizer para a Arménia, que nem de luas precisa devido aos grafismos excelentes e aos planos de câmara onde cada segundo é planeado ao mais pequeno detalhe.


Por outro lado, temos a Letónia, que não simplificou mas que também transparece que algum esforço foi feito para criar algo diferente de tudo o resto, tendo elementos em palco e efeitos que nos transportam para outra dimensão. Depois temos aqueles que têm uma canção tão má que nem eles próprios encontraram nada de jeito para fazer com o seu palco, como é o caso da Eslovénia.


Melhor ensaio do dia: Arménia
Pior ensaio do dia: Eslovénia


Imagens: Eurovision.tv

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