ESC'Divas - Primeiro Texto: 'Quando a imagem não é tudo'


"QUANDO A IMAGEM NÃO É TUDO"

Quando pensamos nas divas eurovisivas pensamos no seu glamour, na sua atitude destemida e segura de si, no brilho, na voz poderosa e na sensação que transmitem de que nada as pode derrubar. De um modo geral, são coisas como essas que nos faz olhar para alguém e dizer “uau, que diva”.

Contudo, decidimos inaugurar esta rubrica a falar sobre um tema diferente, pois, afinal de contas, o papel de uma verdadeira diva é passar uma mensagem, é marcar-nos a todos com o que apoiam e o que querem para o mundo. Foi isso que estas divas, que iremos referir em seguida, o fizeram. E, muitas vezes, a mensagem deixada fica mais na memória de todos do que as suas próprias canções, principalmente para os que se sentem oprimidos com os problemas pelos quais estas divas lutam contra.


Dana International veio, viu e venceu na Eurovisão de 1998. Uma transexual a vencer o festival chocou muitas pessoas na altura, devido ao preconceito que se sentia e que ainda é bastante atual. Mas pensemos na quantidade de pessoas que se sentiam como ela por esse mundo fora e se sentiram encorajadas a enfrentar os seus problemas e a aceitarem quem são. É, atualmente, dos artistas transexuais mais bem-sucedidos no mundo, e com todo o mérito, pois foi uma presença na Eurovisão que ficará para a história pela sua coragem e por ter conseguido enfrentar todo o preconceito do qual foi alvo durante toda a sua vida.



E quem consegue resistir a uma boa drag queen diva da Eurovisão? Quem adora a euforia eurovisiva simplesmente não consegue odiar estas meninas. A DQ, representante da Dinamarca em 2007, numa imagem de showgirl e de pageant queen, a Verka Serduchka, representante da Ucrânia em 2007, numa faceta mais humorística e a fabulosa Conchita Wurst, vencedora de 2014, por ser a verdadeira definição de classe e por lutar pela tolerância e pelo amor.

Todas diferentes, todas essenciais para o público entender o que é uma drag queen e que não é por se apresentarem assim que são menos humanos nem são nada a menos que ninguém. A mensagem que pretendem passar não é só a de que todos os homens se podem vestir como mulheres, é também um apelo à tolerância e à aceitação de que todos somos diferentes e podemos ser quem quisermos e gostar do que e de quem quisermos.



Ainda que a Eurovisão seja cada vez mais considerada como um evento onde se apela ao fim do preconceito para com a comunidade LGBT, não é só este o apelo feito por divas da Eurovisão. A luta por direitos não se fica por aqui, e Loreen e Ruslana marcaram-nos, não só por terem sido duas fantásticas vencedoras, mas por lutarem por direitos humanos ao longo da sua carreira. Loreen deu que falar durante a sua presença em Baku, no Azerbaijão, quando se encontrou com ativistas locais e manifestou a sua revolta contra o regime azeri, denunciando aos repórteres que "os direitos humanos são violados todos os dias no Azerbaijão" e que "ninguém devia ficar em silêncio perante coisas como estas". Quanto a Ruslana, esta cantora tem tido um papel de louvar pelas suas constantes participações em atividades e manifestações em prol da paz, justiça e igualdade de género tendo até sido premiada como "Mulher de Coragem", prémio entregue pela primeira-dama Michele Obama.



Tudo isto para afirmarmos que uma diva não se constitui apenas pela sua imagem deslumbrante – apesar de todas as intérpretes aqui mencionadas serem lindas e deslumbrantes, todas à sua maneira. Tal como em tudo na vida, o caráter e os feitos marcam as pessoas. E estas divas tiveram todas um papel fundamental para muitos de nós e não se limitaram a ser previsíveis na sua passagem pela Eurovisão. A elas, o nosso agradecimento por realmente terem a coragem de marcar pela diferença e por também lutarem por um mundo melhor, um mundo onde todos tenham os mesmos direitos e que consigam ser quem realmente são sem constrangimentos. Como diz a Conchita: “We are unstoppable!”


10/06/2015


8 comentários:

  1. Boa noite Crónicas de Eurofestivais, respeito a vossa opinião como também espero que respeitem a minha. Por isso acho que o que voces escreveram hoje é apenas mais uma prova de que liberdade vai ser no futuro a gota de água que falta para o mundo se tornar um caos. Acho que é razoavel pensar que a liberdade em excesso leva-nos à selva primitiva, em que podemos fazer tudo e ninguém nos proíbe de nada. Por isso a sociedade evoluiu e tornou-se uma civilização com regras e com direito, logo a partir daí concluímos que a liberdade nunca será total. Por isso considero que estamos a retroceder na história em vez de evoluirmos. Todos nós sabemos que na natureza apenas o homem e a mulher se conseguem reproduzir e por isso, é evidente que as noções de liberdade e natureza nunca serão sinonimas, apesar da New Age as tentar ligar, dizendo que o homem pertence a terra e que apenas deve respeito a terra. Errado, se quer viver numa sociedade precisa de respeitar a sua civilização e o seu destino que é salvaguardar a espécie. Posto isto, penso que entendam que a homosexualidade, é super incoerente.

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  2. Adorei a rubrica! Vocês estão cada vez melhores!

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  3. apetece-me espancaar a pessoa do comentário que parece uma composição do primeiro ano. posso, CE, posso? prometo que vos deixo espancá-lo um bocadinho. cérebrozinhos pequeninos, pá, portugalinho! será que a única coisa que leu do texto foi "homossexual", "LGBT" e assim?

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  4. Adorei, adorei, adorei... :)

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  5. Acho inadmissivel o comentario 11 de junho as 02:10 ter sido aprovado dado as regras basicas do site proibirem qualquer conteudo ofensivo e abusivo. Para alem disso so demonstra aquilo que o comentario 10junho as 22:38 disse e verdade,quando mencionou que a liberdade em excesso leva ao caos, isso comprovou-se na agressividade que outro utilizador aplicou na resposta, em vez de ser educado como manda a boa educacao. Mas para esta juventude vale tudo, por isso e que vamos voltar a selva, como ja foi mencionado.

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  6. Caro Anónimo de 11 de junho de 2015 às 15:05,
    Enquanto Diretor do CE, decidi aceitar o comentário de 11 de junho às 02:10 por considerar que não foi feita, realmente, uma ameaça. Considero que foi, sim, mais um desabafo, e este tema, com muita pena minha, continua a ser delicado para muitas pessoas. Decidimos aceitar tanto uma opinião como outra, ainda que não sejam direccionadas para a qualidade do artigo em si, porque todas as pessoas são diferentes e pensam de maneiras diferentes. No entanto, quero deixar aqui claro que não incentivamos qualquer tipo de violência.

    Cada um com as suas ideias. E a ideia sobre o tema em questão da equipa do CE é igual à do artigo escrito.

    Cumprimentos e obrigado pela preferência. E desafio-lhe a comentar a nossa nova rubrica.

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  7. fui eu que fiz o comentário das 22:58 e a minha posição era mesmo só "psicológica". estou longe e bem longe de utilizar violência para resolver os problemas haha.

    simplesmente me chateou o facto dos cérebros deste portugalinho ainda serem pequeninos, e até aqui, na eurovisão, que é um festival com uma afluência LGBT bastate considerável, arranjarem maneira de injectarem esse medo gigante, esse terror de coisa nenhuma, de um traço psicológico de outros humanos, porque, meus queridos, estamos em 2015 e há milhares de anos que cães e gatos e pinguins e pelicanos (e humanos) e muitos outros animais do mesmo sexo se co-relacionam.

    a maneira como as pessoas reagem fazem-me pensar que não existe "medo" da diversidade, existe é medo de nos assumirmos como seres diversos, plurais, capazes de raciocinar, escolher e optar por vias na vida. e se querem coisas formatadas, epá, voltem lá para os 1200-1300-1400, porque nessa altura, aí sim é que a vidinha era boa.

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  8. desculpem, o meu comentário foi mesmo o das 2:10.

    #miopia

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