FBI Eurovisão - Primeiro Texto: a vitória dinamarquesa com uma mão vizinha (1963)




Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio ou um evento carregado de trocas de interesse?

A vitória dinamarquesa em 1963 é um destes casos! Até hoje em dia, nunca se soube perceber se a vitória de “Dansevise”, de Grethe & Jorgen Ingmann, foi, de facto, a que teve maior pontuação! O Festival aconteceu no Reino Unido, um dos maiores pólos musicais do mundo. No entanto, os países nórdicos nunca se quiseram ficar atrás face ao Reino Unido e à demais concorrência. Apesar da grande reviravolta ter acontecido em 1974 quando os ABBA venceram pela Suécia o Festival, sendo um dos maiores marcos modernos de um país na Eurovisão, já houve tentativas anteriores.

Na grande noite Eurovisiva de 1963, os Ingmanns atuaram em oitavo lugar com o tema "Dansevise", uma música tida como sofisticada e diferente de tudo que já se havia ouvido na Eurovisão. A par com a Suíça, este tema era um dos grandes favoritos à vitória, tendo este destaque sido evidenciado na tabela de pontuações.

Quando chegou a hora da votação, o júri norueguês anunciou a sua votação (que variava de um a cinco), que foi a seguinte: 5 - Reino Unido; 4 – Itália; 3 – Suíça; 2 – Dinamarca; 1 - Alemanha. No entanto, como o porta-voz não deu os resultados no formato exigido (na altura parece que existia um rigoroso protocolo), a apresentadora britânica Katie Boyle pediu-lhe que repetisse a votação. O porta-voz aparentou alguma confusão perante o pedido, tendo a apresentadora concordado, de forma a evitar atrasos, que voltariam ao júri norueguês após as votações dos restantes países.


Após terem sido divulgados os votos luxemburgueses, a Suíça estava em primeiro lugar, com mais um ponto do que a Dinamarca. Se os votos originalmente anunciados pela Noruega tivessem prevalecido, a Suíça teria vencido com 42 pontos, perante os 40 pontos dinamarqueses…. Mas o destino acabou por ser outro. Boyle voltou a contactar o porta-voz norueguês e, para espanto geral, este anunciou uma votação diferente: 5 - Reino Unido; 4- Dinamarca; 3 –Itália; 2 – Alemanha; 1 – Suíça. Com esta votação, a Noruega entregou, de bandeja, a vitória à Dinamarca, com uma vantagem de dois pontos.


Apesar de a União Europeia de Radiodifusão ter afirmado em comunicado que não havia qualquer irregularidade quanto aos segundos votos revelados, as dúvidas persistem. Muitos consideram que os vizinhos noruegueses apoiaram a candidatura dinamarquesa e fizeram com que a mesma ganhasse – como isso fosse um exemplo do triunfo dos países nórdicos na Eurovisão. De facto, foi a primeira e a única vez, antes dos ABBA, que um país nórdico venceu.

Também de destacar que a Noruega nesse mesmo ano ficou em último lugar com uns redondos 0 pontos. E, por já saberem à priori, que não tinham hipóteses nesse ano, juntaram forças para ajudar o seu vizinho! Também a Suécia foi muito amiga da Dinamarca: deu-lhe a pontuação mais alta, 5 pontos! Ah, e bem como a Finlândia! Jogos de interesse? Ah, e tanto a Suécia e a Finlândia também ficaram em último lugar, com também uns redondos 0 pontos! De facto, tudo isto é muito estranho, não é?


Apesar da controvérsia, "Dansevise" é um tema bastante reputado nos circuitos eurovisivos. Este surge frequentemente em discussões sobre os melhores vencedores da Eurovisão, sendo mencionado como um dos melhores exemplos. Decerto que os eurofãs suíços não serão tão adeptos do tema dinamarquês, tendo ainda esta vitória no “goto”. Para quem gosta de regras, certamente que considera estranho que se possa alterar uma votação, em pleno evento eurovisivo, sem que tal dê direito a um inqueritozito por parte das entidades competentes. Como se diz na Sueca (jogo de cartas), “carta batida não é retirada”, e é, no mínimo, estranho que em tão pouco tempo as opiniões de jurados especialistas se tenham alterado. Terá sido algum problema burocrático? Estaria o sistema informático com um vírus? Não, que na altura ainda não existia essa complexidade tecnológica na Eurovisão. Até podia ter sido uma mera coincidência, mas na Eurovisão é difícil acreditar em coincidências, principalmente no que toca às votações… vizinhas!

Não perca, na próxima semana, um novo mistério eurovisivo...

23/09/2015
Imagem: ESCToday.com/Vídeo: EurovisionSubtitled

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