FBI Eurovisão - Segundo texto: Ping-Pong pagaram pelo apelo à paz (2000)














Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio ou um evento carregado de politiquices?

Para os mais esquecidos, 2000 foi um ano triste para os eurofãs portugueses, dada a nossa ausência no modernizado palco sueco. No entanto, a inovação não esteve só no cenário, algumas das performances foram, no mínimo, arrojadas, contando com índios e tambores. A Dinamarca “limpou” o concurso, e a polémica ficou em mãos israelitas.

Após dois anos da vitória da emblemática Dana International, os Ping Pong quiseram também chamar a atenção, e também por boas razões. Em 2000, Israel e Síria estavam em guerra, e a delegação israelista decidiu incluir nos ensaios bandeiras sírias, como se estivesse a promover a paz entre os dois países. Porém, o resultado/efeito não foi o mais animador...

A performance gerou uma azáfama tal que a emissora israelita, responsável pela transmissão eurovisiva, renegou o próprio tema. Como cada ação tem a sua consequência, o revolucionário grupo foi obrigado a cobrir as suas despesas decorrentes da participação eurovisiva, tendo o presidente da emissora israelita referido que estes não iriam representar Israel, apenas “a eles mesmos”.


O tumulto começou aquando dos ensaios, onde os Ping-Pong deram a conhecer as suas ideias para a apresentação do tema – nomeadamente, o aceno das polémicas bandeiras, além de realizarem gestos polémicos com pepinos e protagonizarem um beijo homossexual. Segundo o, na altura, diretor artístico da banda e responsável pela coreografia: "Assim que descemos do palco, os faxes começaram a chegar vindos de Israel a dizer para não aparecerem com as bandeiras de Israel e da Síria". Como seria de esperar, a banda recusou o pedido e chegou a arriscar a desqualificação.

Para os Ping-Pong o tema retratava o amor e a paz, tendo usado as bandeiras como mote, dados os confrontos entre os dois país. No entanto, para muitos estas bandeiras representavam um ultraje, que era potenciado pelo resto da atuação.

Nas palavras dos intérpretes, a música e a letra representavam os ideais israelitas, bem como a vontade de não continuar a guerra com a Síria. E que tudo isto se tornou uma mera jogada política contra eles: "Nós representamos um novo tipo de Israel, que quer ser normal e ter paz. Queremo-nos divertir e não ir para a guerra, mas a ala direita não está feliz com este assunto", afirmou um dos elementos da banda. Sendo ou não uma canção que representa a nova mentalidade do povo israelita, o que é certo é que a música conseguiu atingir os lugares cimeiros das tabelas musicais do país, e tornou-se das mais vendidas desse mesmo ano.


Mas afinal quem tinha razão? Cada um deve ser responsável pelos seus atos, e foi a emissora israelita que escolheu os Ping-Pong como representantes. Embora não soubesse qual o rumo que estes dariam à sua atuação eurovisiva, o facto de os sancionaram, obrigando-os a custear as suas despesas, não iria apagar das nossas memórias a sua atuação, muito menos a sua associação a Israel. Esta participação foi tão marcante que, em 2006, foi divulgado um documentário intitulado "Sipur Sameach", no qual é relatada a viagem da banda à Suécia.

Muitos dirão que a Eurovisão não é espaço para politiquices, nem gestos obscenos, ou até beijos homossexuais, mas qual terá sido o principal fator potenciador da reação da emissora israelita? Terão sido somente as bandeiras, ou terá sido todo o arrojo da atuação?

O que é certo é que desde a participação dos Ping-Pong, Israel nunca mais foi o mesmo na Eurovisão em termos classificativos. Enquanto na década 80 e 90, era um país habitual no top 10, nos últimos dez anos falhou cinco idas às finais e o melhor resultado foi dois nonos lugares, em 2008 e em 2015.

Não perca, na próxima semana, um novo mistério eurovisivo...

30/09/2015
Imagem: Abc.net.au/Vídeo: 2000ESC2003

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