FBI Eurovisão - Sexto texto: uma vitória perigosa (1998)














Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio e um evento que promove as diferenças? 

Muitos consideram que o ano fulcral de mudança eurovisiva foi em 1998. Além de a orquestra não ter sido incluída no concurso pela primeira vez, a vitória da transsexual Dana Internacional espalhou-se pelos media europeus como um fenómeno. Para muitos, era uma mensagem de força às minorias, para outros o símbolo de modernismo – o que é certo é que “Diva”, além de ser uma música ícone no mundo eurovisivo, foi um sucesso além-fronteiras – ficando em muitos top10 pela Europa fora. 

No entanto, nem todos receberam a música da mesma forma. A escolha de Dana International gerou controvérsia entre os grupos conservadores – até foi preciso segurança policial para a cantora pisar a sede eurovisiva.


É difícil idealizar este cenário após termos presenciado o fenómeno Conchita… Mas este ícone austríaco “colheu os frutos” do trabalho desenvolvido por Dana, que conquistou Birmingham com o tema "Diva". Esta vitória ocorreu mesmo quando judeus ortodoxos e outros grupos conservadores se opuseram fortemente à sua seleção, tentando, inclusivamente, anular a sua participação no concurso. Para imaginarmos a dimensão desta forte oposição, estes grupos chegaram a realizar manifestações públicas e a enviar ameaças de morte à cantora. 

Desengane-se quem considera que estas ameaças pararam com a vitória de Dana… Consta que a cantora continuou bem protegida com a sua equipa de guarda-costas, mesmo quando foi entregar o prémio eurovisivo a Charlotte Perrelli da Suécia em 1999. Aparentemente atrapalhada com o peso do troféu, Dana tropeçou e caiu, tendo sido imediatamente coberta por guarda-costas. Entretanto, Charlotte, já se avizinhando o que iria acontecer em 2008, saiu do palco de mãos vazias.

Os medias adoraram Dana! Emissoras como CNN, BBC, Sky News e a MTV concentraram-se no percurso na cantora antes da Eurovisão e num país como Israel. No entanto, Dana International não teve medo de enfrentar as reações e prolongar as críticas à religião, afirmando que a sua vitória trata-se de uma mensagem de reconciliação: “A minha vitória prova que Deus está do meu lado, e eu quero enviar aos meus críticos uma mensagem de perdão e dizer-lhes para eles tentarem aceitar-me e ao meu estilo de vida. Eu sou o que sou, e isso não invalida que não acredite em Deus. Eu faço parte da nação judaica.”

Dezasseis anos depois, o discurso de Dana, apesar de ser diferente, continua a apelar ao fim de qualquer tipo de perseguição e discriminada às minorias. Entrevistada em 2014, aquando a Parada Gay de Amesterdão, Dana declarou não ser de nenhuma religião e, acima de tudo, é israelita. “É hora de acabar com a perseguição sobre motivos religiosos ou nacionais. É essa a minha mensagem.”

Voltando à parte preocupante da história, e se efetivamente se tivesse consumado algum atentado a Dana? E se as entidades israelitas tivessem cedido à pressão e retirado a cantora do concurso? Terá a EBU exercido alguma influência nesta escolha, ou na sua manutenção? Será que o evento se preparou de forma a salvaguardar, não só a segurança de Dana, mas também de todos os presentes no concurso? O facto de ter sido realizado no Reino Unido terá potenciado esta presença mais “arrojada”? São tantas as questões e tão poucos os detalhes conhecidos.


Sabemos que a Eurovisão é um evento de grande escala, pelo que zela pela segurança, mas não nos podemos esquecer que em pleno ano de 2010 um indivíduo invadiu o palco eurovisivo na atuação espanhola – que mesmo tendo atuado duas vezes não convenceu a audiência. Que ou quem terá impedido uma possível invasão com vista a prejudicar Dana? Acreditamos que o bom senso, aliado a uma forte preparação do evento, contribuíram para uma noite bem passada em 1998, mas é sempre interessante (mesmo que pela negativa) constatar como a Eurovisão consegue funcionar como fator desencadeador de ódios, quando pretende “construir pontes” entre culturas. 

Em relação a Dana Internacional, esta pouco se importou com as críticas e goza confortável de grande sucesso no seu país nativo. Além de ser uma referência musical de Israel, é uma das maiores Divas eurovisivas, e mostrou ao mundo que todas as diferenças devem ser respeitadas. Porque na Eurovisão… a discriminação não entra!

Não perca, na próxima semana, um novo mistério eurovisivo...

28/10/2015
Imagem: eurovision.tv/Vídeo: romania3

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