FBI Eurovisão - Oitavo texto: o beijo que mudou a Eurovisão (1957)














Atenção! Chamem a FBI Eurovisão, ou calem-se para sempre! Neste artigo irão ser apresentados casos e conspirações, que, apesar dos anos, nunca foram concluídos. Muitos deles nem investigados! Será a Eurovisão um concurso musical exímio ou um evento repleto de emoções? 

Estávamos no segundo ano da Eurovisão: 1957. E a Dinamarca, que tinha entrado neste preciso ano na competição, destacou-se logo, oferecendo o primeiro beijo em direto, e também o mais longo (11 segundos), da história da Eurovisão! Birthe Wilke e Gustav Winckler interpretavam uma autêntica canção de amor, que se descrevia como uma despedida do casal porque o homem ia para a guerra. 

Como se vivia nos anos 50, este beijo longo criou um pouco de escândalo em alguns países. No entanto, o resultado foi animador para a Dinamarca – top3, dando assim um bom começo para a Escandinávia na Eurovisão. Também muitos alegam que o beijo foi tão noticiado e falado nos media por ter sido a primeira vez que o Festival Eurovisão da Canção era transmitido na televisão. Apesar de, em 1957, muitos espectadores assistirem ao concurso através da rádio, o concurso começou a ter impacto através da televisão. Também em 1957 havia mais concorrentes do que em 1956: além da Dinamarca, Áustria e Reino Unido juntaram-se à festa. Sendo que havia mais países a concurso, as regras foram alteradas: só se podia levar uma música por país, e não duas (como aconteceu em 1956).


A pergunta que permanece na nossa cabeça, além do porquê do beijo, é o como? Não, não queremos saber como beijar, mas sim, como é que deixaram, em plena década de 50, que fosse transmitido um beijo de tal duração. Oficialmente, foi explicado que o membro da produção responsável pelas marcações do espetáculo se esqueceu de exibir o pré-aviso, num cartaz direcionado para os artistas, de que o beijo deveria terminar. Esquecimento? Não se consegue apurar qual o grau de intencionalidade, até porque, muitas vezes, é de dentro que se iniciam as verdadeiras revoluções. É curioso, ou talvez não, que esta marco tenha sido protagonizado pela Dinamarca, país onde aparenta ser fomentada a liberdade, tal como ocorreu em 2014 com a vitória de Conchita. 

A verdade é que desde então os beijos já são uma constante no palco eurovisivo, funcionando como parte das coreografias e/ou elementos cénicos. Já tivemos a oportunidade de assistir a beijos dos mais variados tipos, incluindo entre pessoas do mesmo sexo, provando a evolução do certame. Se estes não causam polémica? Sim, mas longe vão os tempos onde as t.A.T.u foram advertidas para não se beijarem em palco. O fator “sexo” é uma constante no evento, não pelo ato em si, mas pela sensualidade das apresentações, onde existe cada vez menos espaço para o pudor. Nem todas as nações aceitam bem isso, que o diga a Turquia, mas a verdade é que aquele beijo dinamarquês deu à Eurovisão outra faceta, onde as emoções funcionam como forma de aliciar o espectador.


Apesar de não ter sido divulgado publicamente, o que é certo é que Birthe Willke voltou dois anos mais tarde, também pela Dinamarca, com a música cujo título “I wish you were here” (“eu queria que tu estivesses aqui”). Muitos consideram que esta proposta foi uma continuação da de 1957, de uma forma até irónica – no entanto, tanto uma como outra, mostravam o reflexo de uma realidade que se tinha dado há muito pouco tempo, a 2ª guerra mundial. Numa atuação a solo, não houve espaço para beijos, e o resultado foi mais modesto, com um quinto lugar. Falta de beijos? Quem sabe, até porque as pessoas gostam de romance e, acima de tudo, por muito que não admitam, os espetadores gostam de escândalos. 

Os mistérios eurovisivos existem, e sempre existirão, até porque muitas coisas ficaram de fora dos registos, quer por esquecimento, quer por conveniência. Podemos não ter as respostas, mas procuramos fazer as perguntas necessárias para refletir sobre temas “enterrados” na História eurovisiva. Com beijos ou sem beijos, a Eurovisão é um evento mundial, onde a música importa, mas os mistérios não deixam de existir. Inimizades, preconceito, política… Tudo isto existe na Eurovisão, mas no final o que mais importa são as emoções que este evento nos proporciona, e a essas não existe mistério que as abale.

11/11/2015

Imagem: bbci.co.uk/Vídeo: escbelgium3

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