Crónica ESC 2016: 'a minha última classificada acabou no 1.º lugar e o meu 1.º acabou em último'


Lembro-me de estar a escrever um texto semelhante a este no ano passado e estar ainda naquela fase de revolta por a Itália (que era a minha preferida) ter ganho o voto do público e não ter conseguido vencer a Eurovisão. Este ano estou ainda mais revoltada, mas o que é a Eurovisão sem revoltas? Nem sabe ao mesmo, mas deixemos o drama para o fim.

Não sou fã da Suécia a organizar a Eurovisão. Se a nível gráfico são os melhores, os guiões deixam muito a desejar e a nível humorístico nem se fala. Tenho pena que a BBC não leve o concurso a sério porque o Graham Norton seria o melhor apresentador eurovisivo de sempre! Aliás, o melhor desta eurovisão foi a cobertura feita pela BBC no twitter.


Não me vou alongar a falar da vencedora. Digo apenas que o júri voltou a fazer o mesmo do ano passado e a ir contra a vontade do público. Ridículo (e eu estou longe de ser a maior fã da proposta russa). Numa frase, para perceberem o quão maravilhada eu estou com esta vitória: "Running Scared" deixou de ser a pior vencedora de sempre. Tudo o resto que possa dizer se resume à imagem acima.


Mas falemos de músicas que, no fundo, são o que mais importa aqui (ou pelo menos deviam ser). O concurso começou da pior maneira possível. Ainda não recuperei da derrota do Mikael Saari no UMK e já estava Sandhja em palco a desafinar mais do que alguma vez achei possível um ser humano conseguir. Os meus ouvidos ainda não estão a 100%. A Grécia surpreendeu-me pela positiva. Talvez o facto de não conseguir ouvir bem graças à atuação anterior tenha contribuído para tal, mas gostei da apresentação em palco e preferia ver a Grécia na final à Áustria, Azerbaijão ou Malta. A Hungria podia ter sido candidata à vitória e acabou esquecida por culpa da atuação e da ordem de atuação que nada tem de justo.

Da primeira semifinal, destaque também para o king Serhat que esteve impecável a defender uma música sem defesa possível e conseguiu o 12.º lugar. A não-passagem da Islândia não me surpreendeu assim tanto. Era uma semifinal difícil e, sejamos honestos, "Hear them calling" é uma canção mediana, repetitiva em que a voz da Greta é completamente engolida pelos coristas. A única coisa em que ganha é a apresentação mas até aí a Islândia foi completamente abafada pela Rússia. Se merecia um lugar na final? Claro, se compararmos com as três que já referi.


Na segunda semifinal parece-me que a grande injustiçada foi a Bielorrússia. Digam o que quiserem mas "Help you fly" não é uma música má e a atuação foi absolutamente brilhante tal como a voz do Ivan que melhorou imenso desde a final nacional. Fosse a Suécia a enviar isto e era o delírio... Surpreende-me também que a Sérvia tenha passado em 10.º lugar. É engraçado o facto de ano passado terem levado puro lixo e acabarem no top 10 e este ano com uma boa música e uma grande voz quase não conseguem ir à final. Justiça devia ser o nome deste concurso.


A final foi o que foi. A França conseguiu um lugar excelente se tivermos com conta que a atuação foi péssima, a Bulgária consegue o seu melhor resultado de sempre com uma música francamente pior que "Na inat" e a Bélgica arranca um lugar no top 10 sem ninguém saber bem como.

Os votos do júri foram a grande piada da noite. 12 pontos do Reino Unido para a Geórgia, 12 de Malta para o Reino Unido, 12 do Montenegro para Malta, and the list goes on. E o melhor é a quantidade de 12 pontos recebidos pela Suécia. Um júri dito profissional que dá um ponto que seja à Suécia tem zero credibilidade. Sim, porque se fosse o Reino Unido a enviar "If I were sorry", acabava em último. Por falar em Reino Unido, se há país odiado pelos fãs é este. "You're not alone" não é uma música boa, mas é certamente melhor que muitas que acabara à sua frente.


A Alemanha parece estar finalmente a encarrilar com isto de ficar em último. Foi incrível ver o esforço que fizeram a nível de música secante, cenário secante e roupa completamente descontextualizada para conseguirem igualar o resultado do ano passado. Falando em flops, eu disse que a Espanha ia acabar no fundo da tabela, não disse? Também o Chipre ficou muito aquém do espectável, mas quem é que os mandou ter uma atuação daquelas?!

Surprise, surprise Malta conseguiu um 12.º lugar com uma música mediana e uma atuação terrível (principalmente a nível vocal). Como? Ninguém sabe. Da mesma forma que ninguém sabe como é que a piroseira austríaca acabou em 13.º e o Azerbaijão em 17.º quando nem devia ter estado na final.

Quase a acabar, resta-me o drama. E o meu drama deste ano foi o maior de sempre. Já tiveram o prazer de ver uma final sem o vosso preferido? Não? Então não me julguem! Confesso que não há nenhuma das 42 músicas deste ano de que goste especialmente. Gosto de meia dúzia, há mais meia dúzia que se ouve bem, mas nenhum grande amore por assim dizer. Assim sendo, e porque não podia passar um ano como 2009 em que não torcia por ninguém, acabei por eleger a Estónia como minha preferida pelo simples facto de adorar a voz do Jüri Pootsmann. Reconheço que "Play" está longe de ser uma obra de arte, que a atuação não foi a melhor e que o fato XXXXXXL e o ar de serial killer em nada ajudaram a Estónia, mas daí a ficar em último lugar... ÚLTIMO? Mas a Europa está surda ou sou eu que tenho mau gosto? Enquanto ouvia os votos só desejava que "Play" nunca tivesse vencido o Eesti Laul para o Jüri voltar a tentar representar o seu país com uma canção à sua altura.


Se o Azerbaijão passa com os coros a cantar porque é que a Estónia não há-de passar com uma das melhores vozes a concurso? Isto só prova que a voz pouco interessa num concurso onde ter uma música made in Sweden praticamente já garante a qualificação. Senão pensem: todas as músicas com "dedo" sueco passaram à final por muito más que as suas atuações fossem da mesma forma que todos os nórdicos ficaram de fora à exceção da anfitriã que assim colecionou mais pontos. Chamem-me paranóica ou aziada, mas a mim ninguém me convence que não houve umas ajudas da SVT para que isto acontecesse!

Curiosamente, da última vez que a eurovisão foi em Kiev eu não vi. Já esteve mais longe de acontecer o mesmo. Felizmente já há muito que a eurovisão deixou de ser um concurso para mim, mas antes uma montra para ficar a conhecer novos artistas. E digo-vos isto enquanto oiço o EP do último classificado deste ano, intercalado pelos dois álbuns da única a receber zero pontos do televoto.

Termino com duas das maiores ironias de sempre da minha vida de eurofã:
  • A minha última classificada acabou no 1.º lugar e o meu 1.º acabou em último;
  • Acabou por vencer a preferida do meu preferido.

Imagens/Vídeos: Eurovision.tv
15/05/2016

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