Ensaios ESC 2018: quem surpreendeu e quem desiludiu - Dia 2


Decorreram hoje os primeiros ensaios dos países da segunda metade da Semifinal 1. O Crónicas de Eurofestivais acompanhou o segundo dia de ensaios no Press Centre, onde tivemos a possibilidade de assistir a cada atuação tal como será emitida no dia 8 de maio, e desvendamos alguns pormenores das performances, assim como as nossas opiniões acerca de quais foram as maiores surpresas e quem ficou aquém das expetativas.


 Quem desiludiu?

Grécia


Não participar em nenhuma pre-party eurovisiva nem fazer qualquer live performance tem os seus prós, mas também tem os seus contras. Yianna permanece no centro do palco até à bridge da canção, sendo que passa metade do tempo com o braço erguido, mostrando a palma da mão que está pintada de azul - deve ter um significado qualquer que um mero espectador, tal como nós, não irá entender. A movimentação da intérprete grega (que não parece estar nada à vontade) na última parte da canção dá a entender que a atuação conta com uma realidade aumentada que nunca aparece. Era esperado algo melhor também a nível vocal. A Grécia pode ser o país que surpreende ao ficar-se pela semifinal.

Irlanda


A atuação da Irlanda é o videoclip da canção transposto para o palco. Começa por focar Ryan acompanhado pela sua guitarra, sendo que no pré-refrão aparece uma rapariga ao piano - que podia muito bem ter mais tempo de destaque. Seguidamente, aparecem os bailarinos do vídeo a fazer a coreografia que todos já conhecemos, envolvidos por um cenário com bancos e candeeiros de jardim e até de neve artificial. É uma atuação bem pensada e filmada. Contudo, apesar da voz aceitável do representante irlandês, a sua atitude em palco não convence por lhe faltar algum carisma enquanto performer.

Arménia


Antes de começar o primeiro take do ensaio de Sevak, ficámos alguns segundos a ver uma estrutura de blocos dispostos num círculo nos ecrãs do Press Centre, dando a entender que a Arménia tinha apostado tudo no palco para colmatar o quão esquecível é "Qami". Acontece que a atuação resume-se a Sevak estático do início ao fim, no centro deste círculo. Sevak sabe como defender a sua canção, mas quando o suposto é estar parado durante 3 minutos, é necessário que haja pelo menos um bom jogo com os planos de câmara, o que não acontece. Por outro lado, foi um dos poucos ensaios onde conseguimos verificar um bom uso das luzes do palco. O colete de gladiador deu lugar a um trapo que já passou por muito. 

Macedónia




Apesar de apenas ter sido transmitido um dos ensaios do dia para a Macedónia, é percetível que Marija é o foco principal da performance, como seria de esperar, mas a sua prestação vocal não está a 100%. Os Eye Cue estão acompanhados de um baterista e três coristas. A imagem inicial da atuação quase nos remete para a da Estónia em 2017, mas melhor. Não é uma atuação filmada em one shot, como muitos fãs queriam, mas temos direito à coreografia do refrão, que acaba por ser a parte mais relevante da performance. O outfit da vocalista é igualmente relevante e resulta bem a conjunção da sua cor com a cor da indumentária dos coristas. Tudo resultou minimamente bem, mas não é uma atuação marcante. 


 Quem surpreendeu?

Chipre


Este segundo dia de ensaios não teve o fator wow do dia de ontem, mas a verdade é que esta semifinal termina da melhor maneira possível. Quando dizemos que o Press Centre começou a gritar, não estamos a exagerar. "Fuego" começa com Eleni em contra luz, dando a ideia que está a sair de uma gruta escura. Quatro bailarinas se juntam à representante cipriota, oferecendo a todos nós a melhor coreografia da Eurovisão dos últimos anos. Lembram-se de quando saiu a canção e muitos de nós torcemos o nariz ao refrão que não começava quando devia? As luzes e a dança desse exato momento respondem a todas essas dúvidas. Ao contrário do que se pensou, Eleni é extremamente competente a nível vocal. Temos também direito a fuego e fumo em realidade aumentada. Fala-se que entre o Chipre e a Finlândia, apenas um deles se irá destacar, e com este ensaio não restam quaisquer dúvidas de qual deles será.

Croácia


Podíamos nem nos lembrar de que "Crazy" existia, mas definitivamente que a performance elevou esta canção a outro nível. Franka está sozinha em palco, e é impossível não nos lembrarmos de Iveta Mukuchyan com a sua presença, movimentos e indumentária. A representante da Croácia sabe usar a voz que tem, não tendo qualquer falha neste aspeto. Há muito pouco a acontecer em palco, mas ela sabe como preenchê-lo. Não será uma surpresa a sua passagem à final.




Áustria


Palco com coro gospel? Esqueçam lá isso. A Áustria apostou tudo no staging em 2017 e este ano voltou a fazê-lo. Depois de um início com close-ups do vocalista com apenas metade da face iluminda, Cesár aparece sobre a plataforma elevatória do palco, que possui luzes amareladas que dão à performance uma atmosfera perfeita. Na segunda metade da atuação, o representante da Áustria atravessa a passadeira em frente ao palco principal, sendo notável que os planos de câmara ainda não estão no ponto. No entanto maior melhoria que deve ser feita é mesmo a troca de indumentária - afinal de contas, é suposto estares vestido para a Eurovisão, não para ir ao ginásio. O nível vocal nem se põe em causa, afinal de contas Cesár Sampson é o melhor vocalista masculino este ano.

Suíça

A atuação da Suíça resume-se em mostrar ao mundo o quão magnifica a Corinne é. A atitude descontraída e rockeira dos irmãos ZiBBZ é ótima, mas o Stefan quase parece um mero figurante que se adiciona o arraso completo da vocalista. "Music is not fireworks" nunca fez tanto sentido, pois a performance resume-se na Corinne a atravessar o palco de uma ponta a outra, a subir e a descer escadas, com o ar mais careless de sempre, e a dominar na voz tão bem ou melhor do que os representantes de países que permanecem estáticos em palco. Antes do último refrão, ambos têm uma espécie de foguete/tocha que complementa muito bem esta atuação. É difícil acreditar que veremos a Suíça na final, mas seria maravilhoso.

Finlândia


A primeira impressão ao ver o ensaio da Finlândia é a de finalmente terem acertado na escolha de indumentárias. A ideia da performance de "Domino" foi reformulada e adaptada (desnecessariamente, talvez) para "Monsters", não sendo uma tentativa 100% bem conseguida devido à pobreza no trabalho de câmaras, não só aqui mas durante toda a atuação. Todo o cenário é escuro, o que faz com que as luzes em tons frios neon resultem de forma impecável. A pirotecnia utilizada no finalizar da atuação (só visto no último dos três ensaios) faz toda a diferença, e isso notou-se pela reação no Press Centre. Saara é uma performer com o pacote completo: não falha vocalmente, arrasa na coreografia e faz parecer que o palco, é demasiado pequeno para si. A atuação está demasiado boa para a forma como resulta no ecrã.

Imagem/Vídeos: Eurovision.tv

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