Crónica ESC 2018 (2ªsemifinal): da música ao riverdance


Um vencedor do ESC que regressa novamente ao palco, uma canção rock que leva a audiência ao delírio, uma suposta falha técnica, mas que afinal não é acidental, um vampiro, quatro apresentadoras a dançar riverdance... O que é que se pode pedir mais nesta Eurovisão portuguesa?

São 20h em ponto! O genérico da EBU já soa e eis que, mais uma semifinal começa a dar na televisão... Mas este ano é diferente! Este ano é nosso! O orgulho é maior. 

O genérico foi igual ao da primeira semifinal, mas confesso que quando o ouvi, fiquei um pouco desiludida. Pensei que fosse abrir com os típicos cavaquinhos que se ouvem na versão original, mas a versão dos Beatbombers também não é má, de todo. Sinceramente, assim que ouvi o soundtrack deste ano, pensei que o genérico seria uma imitação da edição de 2013, na Suécia, em que retratava a evolução da borboleta desde Baku até Malmö, mas não. Em vez disso, deparo-me com um genérico moderno, e que nos leva a conhecer Lisboa. Desde os azulejos, monumentos, até à cultura, como é o caso do fado e dos Santos Populares. Tudo aparece! E claro, O MAR. O que seria de Portugal senão fosse o mar e os descobrimentos, não é? 
O mar está tão ligado a este evento, que este ano temos doze logotipos, todos eles com figuras ligadas ao mar e, que aparecem também no genérico. A viagem pela cidade termina no Altice Arena, onde está atracado o barco que nos levará a conhecer mais um lote de novas canções.

São cerca de dois minutos e meio até aparecerem as quatro brilhantes apresentadoras (Filomena Cautela, Catarina Furtado, Daniela Ruah e Sílvia Alberto) e se ouvir a mítica frase "Good evening, Europe, and Good Morning, Australia!" Está assim dado o sinal de arranque da segunda semifinal do Festival Eurovisão da Canção 2018!
Confesso que no que toca às apresentadoras, sinceramente só destaco a Filomena com o seu bom humor, e a Daniela Ruah que se revelou uma surpresa! As outras duas são demasiado sérias para um evento como este, o que faz com que passem praticamente despercebidas.


É tudo  muito rápido até as canções começarem a subir ao palco. Tão rápido que até se estranha, pois normalmente existe um momento performativo que abre cada espetáculo... Mas este ano, não.
É dado o tiro de partida para que tudo comece e, a segunda semifinal não poderia começar da melhor maneira! Alexander Rybak sobe pela segunda vez ao palco da Eurovisão, e em Portugal, uma coisa totalmente impensável se mo dissessem há nove anos atrás quando "rebentou" com tudo em Moscovo, no ano de 2009!

A performance da Noruega é quase toda ela cheia de efeitos visuais, o que enriquece a atuação. Para além disso, o carisma dele faz com que todos abanem o pé e cantem juntamente com os elementos que estão no palco. Já para não falar no solo de violino, que encanta qualquer um! Estou à espera de o ver nos lugares cimeiros da tabela. 



Para além da Noruega, tenho ainda a destacar o facto de a Sérvia voltar a cantar na sua língua materna (finalmente!), mas o que me surpreendeu ainda mais foi a canção de São Marino
Quando ouvi a canção pela primeira vez, parecia uma canção incompleta, onde faltava algo, mas depois de a ter visto ontem em direto, adorei! Sinceramente, para o ano tragam novamente os robôs com a frase "Justice for the robots". Pensei mesmo que era este o ano em que São Marino podería ter a sua melhor pontuação... Mas parece que ainda não foi desta... 


Já que estamos a falar de Injustiças, falemos então de mais uma injustiça da noite. Malta teve uma excelente atuação, com um cenário incrível, cheia de efeitos, uma canção fortíssima, uma extraordinária aceitação por parte do público presente, uma energia espetacular, e no final, não passou. 


Ao nível de favoritismo por parte do público, destaca-se a canção da Hungria. Esta não estava, de todo, na minha lista de finalistas, mas face ao que se foi vendo por parte da imprensa, tive que me ir convencendo de que seria uma presença óbvia na Grande Final do próximo sábado. É uma canção de estilo "rock psicadélico" que leva o público literalmente ao "delírio". Nunca vi tanta gente maluca com uma música! É que até na TV se ouvia o público a cantar o refrão! Cá para mim e com alguma pena, parece-me que a Hungria vai lutar pelo microfone de cristal... Um conselho para quem for ver ao vivo: Levem óculos de sol, pois ao que consta, o fogo e a luz é tanta, que quem vê ao vivo fica cego!


Das restantes, a atuação da Ucrânia, surpreendeu-me aquele início arrebatador! Não estava nada à espera que aquele piano se transformasse num caixão e que de lá saísse um vampiro de nome Melovin. Dá-me a impressão de que, se a Ucrânia ganha (porque está a fazer por isso), vamos ter sérios problemas... Depois da "trapalhada" que aconteceu na organização do ano passado (ATENÇÃO: o espetáculo em si, foi maravilhoso), como é que será que acontece se eles ganham novamente e, ainda por cima, este ano? De resto, a atuação foi espetacular como sempre... Resta-me apenas descobrir como é que ele sai daquela escada em chamas... Ou o material é muito resistente, ou então...

 

De todas, a que mais me surpreendeu, e que eu não esperava nada que passasse à final, foi a música da Eslovénia. Para mim, aquela canção parecia mais um conjunto de tachos e testos de panela a baterem uns nos outros, onde a única coisa que se safava era a voz da Lea, do que outra coisa. A meio da atuação, o instrumental foi abaixo e tal era o desespero da rapariga quando ela disse: "Music, please!" que eu pensei "já foste!" Pois bem. Enganei-me redondamente! Esta "falha/acidente" foi mesmo propositado e foi uma forma de a cantora puxar pelo público presente na arena e, eis que conseguiu! O público aderiu à brincadeira e valeu-lhe a passagem à final!

 

As músicas eram todas boas, cheias de efeitos, boas vozes, grande planos, mas o momento alto da noite estava para vir juntamente com as quatro apresentadoras! A determinada altura vemos Catarina Furtado, Filomena Cautela, Daniela Ruah e Sílvia Alberto a recordar os grandes êxitos do ESC. 
Catarina foi a primeira a entrar em palco. Parecia que estava a dançar broadway... Mas faltava-lhe a leveza das bailarinas. De seguida, aparece Sílvia Alberto a dançar o clássico alemão na Eurovisão, "Dschinghis Khan"... Uma boa atitude! Depois vem a Daniela Ruah, primeiro muito leve, mas que rapidamente anima a coisa quando dança os passos de "Aserejé", das "Las Ketchup", ao ritmo de "Making your mind up", dos Bucks Fizz (1961). Mas o momento alto ainda estava para chegar, quando a Filomena imita na perfeição os movimentos que a Loreen fizera enquanto cantava "Euphoria", canção vencedora da edição do ESC 2012, em Baku. No entanto, não fica por aqui. Logo a seguir, as quatro apresentadoras juntam-se para recriar a atuação de intervalo da edição de 1994, dos Riverdance. Dançaram tão bem, que no final quase que foi preciso fecharem-me a boca de tão pasmada e maravilhada que eu estava com aquilo!

   

Depois deste ponto alto, deu ainda para ver a representante francesa a cantar "Amar pelos dois" em francês, o representante alemão tocou um pouco de Ukulele e ainda vimos a dupla italiana a cantar "Volare" à capella. 

Esta equipa portuguesa está de parabéns! Sim, senhor, de todos os anos que sigo a Eurovisão, este é, sem dúvida, o ano em que o festival está melhor. Não só pelas músicas, mas pela realização, luzes, palco, tudo!
É verdade que houve algumas injustiças nesta semifinal, mas com tanta música boa, era impossível passarem todas.

Resta-nos aguardar pelo vencedor que sucederá a Salvador Sobral, que será revelado no próximo sábado, na Grande Final. Até lá, ALL ABOARD!!! 

Imagens: Eurovision / Vídeos: Eurovision 

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