ESC 2018: comentários à primeira semifinal


54! 54 longos anos à espera da noite em que a Rádio e Televisão de Portugal (RTP) finalmente transmitisse o mítico Festival Eurovisão da Canção (ESC). A noite chegou, o evento teve arranque na tradicional Lisboa e resta-me comentar aquilo que se viveu na Primeira Semifinal do ESC 2018, que teve tanto de surpreendente, como de chocante.

A Primeira Semifinal do ESC 2018 teve arranque com uma introdução fantástica de Lisboa no presente, não esquecendo o tradicional passado e a perspetiva de futuro. A nossa capital não é mais vista como algo antiquado, mas sim como um destino obrigatório para quem quer sentir tradição e inovação em simultâneo. O mesmo se estende a todo o país, que serviu de base aos mais bonitos postcards. 

As belíssimas apresentadoras deram entrada no grandioso palco do ESC 2018, onde o efeito das inúmeras luzes dispensa qualquer tipo de LED´s que, na maioria das vezes, só serve para colmatar  a falta de originalidade de alguns palcos eurovisivos. Sílvia Alberto, Daniela Ruah e Filomena Cautela recebem pontuação máxima, por terem guiado a emissão de uma forma profissional e divertida. Já Catarina Furtado mostrou as suas fragilidades e insegurança ao apresentar um programa em inglês. No entanto, as quatro apresentadoras revelaram um trabalho coeso, equilibrada e bem doseado, sem roubar as atenções das verdadeiras estrelas: os concorrentes. 


As atuações abriram com o Azerbaijão. Aisel esteve bem vocalmente e estava absolutamente deslumbrante. O staging estava bonito e adequado à canção. As elevações no palco davam um toque especial a "X My Heart". A realidade aumentada pareceu-me desnecessária e um pouco mal executada. 

RESULTADO: Azerbaijão choca tudo e todos e pela primeira vez fica de fora da Grande Final do ESC. O facto de ter atuado na primeira posição poderá ter sido a causa de tal ter sucedido. O único ponto positivo desta não passagem é a confirmação que ninguém tem lugar garantido na final... nem mesmo o Azerbaijão. Porém, um resultado injusto.


Seguiu-se a canção antiquada da Islândia, que até teve um palco decente. O Ari sabe cantar, é um facto, mas em 2018 "Our Choice" não passa de um intervalo de casa de banho.

RESULTADO: Como era de esperar, a Islândia ficou pela semifinal, o que me parece um resultado justo.


Viajámos depois até à Albânia. "Mall" é das melhores canções do ano e Eugent das melhores vozes da edição, mas o staging poderia ter sido mais elaborado. No entanto, a voz do cantor é tão intensa, que não deixa ninguém indiferente. 

RESULTADO: Muito poucos estavam à espera da passagem da Albânia, eu inclusive... mas aconteceu! Resultado justo e a prova de que basta uma excelente canção e uma voz extraordinária para remar até à final!


Bélgica entrou a bordo depois do arraso da Albânia. Sennek entregou uma boa prestação vocal. A atuação começou muito bem, com um plano focado nos olhos da cantora, mas foi perdendo o interesse ao longo da canção. "A Matter of Time" é extraordinária, mas o palco belga não fez jus à sua grandiosidade.

RESULTADO: Sennek quebra os bons resultados da Bélgica e fica pela semifinal... é justo, tendo em conta a desinteressante atuação.


República Checa seguiu-se no alinhamento e... arrasou! Um palco que se assemelha a um videoclip e um grande à vontade mostram o talento de Mikolas. Uma das melhores apresentações da noite e nem a lesão do rapaz foi impeditivo para ele brilhar!

RESULTADO: Como era de esperar, a República Checa passou à final e arrisca-se a um resultado excelente. 


Veio então a Lituânia com aquela atuação que colocou todos nós de lágrimas no olhos. Ieva esteve fora de série e o palco resultou tão bem que o país poderá até ter estado perto de ganhar a semifinal. Não consigo rever a atuação sem sentir arrepios e ficar emocionado. 

RESULTADO: Passou justamente e espero mesmo que a Lituânia volte ao Top 10 ou até ao Top 5


O galinheiro foi aberto a seguir com Netta e o seu "Toy", que tem tanto de original como de espetacular. Aliás "Toy" conseguiu manter as winner vibes e, ao contrário de alguns, eu ainda acho que Israel pode ganhar o ESC 2018. A atuação é frenética e extravagante. Netta canta muito bem e as expressões faciais são impagáveis. Gosto bastante da estilo asiático do palco e vai de encontro à personalidade de Netta. 

RESULTADO: Israel passou, como é óbvio, e continua na corrida para vencer o certame. 


ALEKSEEV veio então espalhar azeite pelo palco do ESC 2018 depois da memorável Netta. A Bielorrússia tinha a tarefa de se destacar depois de Israel, mas a imaginação caiu para o pior que poderiam ter feito... "Forever" é uma boa canção, mas com tanta estupidez numa atuação, ninguém se focou no essencial. Desde o cântico à rosa, até à realidade aumentada, tudo foi desnecessário.

RESULTADO: Semifinal é o nome da rua onde ALEKSEEV vai passar a morar e merecidamente. Algo que me custa a aceitar, pois gosto bastante do tema. 


A Estónia veio limpar depois as pétalas do ALEKSEEV deixadas no palco e fez o pobre rapaz cair no esquecimento. A Elina esteve tão bem que poderá ter mesmo vencido a semifinal. O vestido é fora de série, bem como a capacidade vocal deste ser divinal. Trabalho de câmaras no ponto!

RESULTADO: Elina segue para a final e como uma potencial vencedora. Seria uma ótima sucessora de Salvador Sobral.


A Bulgária veio a seguir com mais uma atuação fora de série. O palco da Bulgária foi o meu favorito! Plano de câmaras perfeito e carisma de todos os elementos de EQUINOX. Uma viagem pelo lado mais obscuro do amor e pelos primeiros lugares da semifinal.

RESULTADO: Bulgária mais um ano na final e no Top 5, espero eu!


Depois de uma atuação brilhante, vem a pior atuação da semifinal a todos os níveis. A Macedónia não conseguiu fazer justiça a "Lost and Found" e a intérprete teve uma prestação vocal abaixo da média. Com um plano de câmaras pouco ajustado, um vestuário mediano e uma coreografia desleixada, os Eye Cue não poderiam ter estado piores.

RESULTADO: Mais um ano pela semifinal e justamente.


Franka da Croácia veio a seguir e fez elevar uma canção pop mediana. O staging fez lembrar a Arménia em 2016. O plano de câmaras mostrou toda a sensualidade da cantora, que possui um vozeirão.

RESULTADO: Não conseguiu assegurar o bilhete para a final. Não acho injusto, pois a canção é realmente mediana, mas ficou o esforço e uma atuação brilhante.


A Áustria também surpreendeu com um ótimo palco e com a ótima voz de Cesár. Um dos poucos países a fazer uso da plataforma elevatória. A canção é boa, bem como o staging, onde predominam as luzes vermelhas. Pena o terrível vestuário...

RESULTADO: Passou à final e acredito que pode surpreender nos resultados.


Os deuses gregos fizeram-se ouvir logo de seguida com uma performance bem executada! A Grécia esteve bem em palco, com alguns truques de pirotecnia. Vocalmente, Yianna poderia ter estado melhor, mas esteve acima da média, com uma canção que é difícil de ser interpretada, devido às dezenas de variações. Talvez a iluminação pudesse ter sido melhor. Fiquei bastante agradado com a Grécia e com este tema, que é um dos melhores do ano.

RESULTADO: O inesperado aconteceu e a Grécia não passou para a final. Porquê? Nem os deuses gregos devem saber. A maior injustiça da noite. Um resultado ridículo, tendo em conta que a Grécia já garantiu passagem noutros anos com canções de baixa qualidade.


Depois dos deuses, vieram os monstros. Saara nasceu para ser uma estrela pop! Esteve impecável em palco. Voz inacreditável e uma atitude que encheu o Altice Arena de alegria. A Finlândia organizou um bom staging, embora estivesse à espera de mais energia no segundo refrão. 

RESULTADO: Estava com receio de não ver a Finlândia a triunfar, mas felizmente os monstros da Saara não a impediram de passar à final!


A Arménia veio a seguir com a sua balada pop. Sevak esteve irrepreensível vocalmente. O palco da Arménia foi, no entanto, mediano. Nada de especial acontece. A canção não é má, mas parece que não chega ao coração dos telespetadores. E entre a Lituânia e a Arménia, é evidente que a primeira tem uma balada muito superior.

RESULTADO: Ficou pela semifinal. Não posso dizer que não tinha sido justo.

ZiBBZ apareceram de seguida no palco e arrasaram! A Suíça foi representada ao mais alto nível pelo duo! A cantora tem uma excelente voz e uma atitude rebelde. Continuo a achar "Stones" uma canção a meio gás, mas o palco suíço fez elevar o tema!

RESULTADO: A não passagem do país não se justifica este ano. Mais uma injustiça a juntar à Grécia.


A baladinha da Irlanda veio a seguir. Ryan canta bem, mas nada de extraordinário. Aliás, quem dá vida à canção nem sequer é ele, mas sim os bailarinos. Uma jogada inteligente da delegação irlandesa. Atuação mediana e uma canção pouco memorável.

RESULTADO: Passou... e eu não quero viver num mundo onde as pessoas preferem o básico da Irlanda ao cultural e místico da Grécia. 


As temperaturas subiram tanto a seguir, que o Altice Arena entrou em completo delírio. "Fuego" fez-se ouvir no final do alinhamento das canções e Eleni não esteve bem... esteve perfeita! Não há um único erro nesta apresentação, desde a voz atraente, à coreografia de fazer inveja às beyoncés da vida, e acabando na atitude da cantora. Era engraçado o Chipre ganhar num ano onde "music is feelings"...

RESULTADO: Se o Chipre não passasse, eu desistia do ESC. Eleni se não ganhou a semifinal, andou lá perto.





Depois do alinhamento musical, os representantes de Portugal, Reino Unido e Espanha falaram com Filomena Cautela e um excerto das atuações no Jury Show foi apresentado. Portugal aposta na intimidade, Reino Unido na cor e Espanha no romance. Depois de ver as apresentações completas, devo dizer que nenhum destes países deverá vencer o ESC 2018. Todas as prestações são boas, mas nenhuma verdadeiramente entusiasmante.

Resta dar os parabéns à RTP por ter feito um trabalho extraordinário e por ter mostrado que não são precisos orçamentos estrondosos para apresentar um trabalho brilhante. Relativamente à semifinal, atrevo-me a dizer que foi mais forte do que muitas grandes finais de edições anteriores do ESC!

Orgulho nacional!

Imagens: eurovision.tv

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