[Especial] 15 razões para ver o ESC 2018


Se acha que a Eurovisão já não tem nada de novo para acrescentar à vossa vida: estão enganados. Apesar de as inovações a nível musical serem pouco mais que nenhumas, a verdade é que há sempre variadíssimas coisas que nos surpreendem. O Salvador pode ter dito que a música não é fogo-de-artifício mas há países onde essa mensagem não chegou e que nos presenteiam com stagings no mínimo originais. Robôs, montanhas, gatos... Já todos aprendemos a esperar o inesperado. Fiquem com os melhores motivos para verem o ESC deste ano. 

P.S. Texto impróprio para quem não é adepto da ironia.


1. A boca do Alekseev


Se viram as atuações ao vivo do representante da Bielorrússia sabem que há algo que o carateriza muito mais do que um fato de LED ou uma rosa que serve de flecha. É quando Alekseev abre a boca que a verdadeira “Forever” acontece, porque aquilo é um buraco negro sem fim, um mundo paralelo habitável. Como se não bastasse a boca, ainda temos os dentes, tão imponentes que nem conseguimos desviar o olhar. É triste quando percebemos que Alekseev tem dentes que brilham mais do que o nosso futuro. No fundo, acreditamos que a canção foi alterada várias vezes para Alekseev não ter de abrir tanto a boca, de modo a que a Bielorrússia não arriscasse ter despesas com indemnizações caso famílias e respetivos bens fossem sugadas lá para dentro.

 2. España Gañadora... ou nem por isso!



A escolha de Espanha tem envolvido polémica desde o início. Primeiro foi a própria escolha, quando "Lo Malo" parecia ser a favorita. Depois o drama virou para o fato de Alfred ser de Barcelona e como assim os espanhóis vão ser representados por alguém pró-independência? Mas eventualmente o amor pela entrada espanhola surgiu entre os espanhóis e a crença na vitória instalou-se. Orgulhosos como eles são, ai de quem se atrevesse a dizer mal de "Tu Canción"! Durante meses eles venderam a música como se fosse uma das sétimas maravilhas do mundo e tudo bem, quem dera a nós, portugueses, nos orgulharmos assim das nossas músicas. Mas a graça parece agora estar a virar desgraça e vemos o amor depressa a transformar-se em ódio. Primeiro foi Alfred e o seu "España de Mierda", agora são os ensaios que não parecem estar fantásticos. Querem ir buscar as pipocas para ver o ódio dos espanhóis nas redes sociais quando esta música for bottom 5? Façam as vossas apostas, quem acertar quantos vão dizer que sempre foram Team Lo Malo ganha!

3. Se não vai a Julia à montanha, vai a montanha à Julia


Quem precisa de fazer memes quando a própria Eurovisão nos dá tão bons memes em bruto? A Rússia não soube lidar com a crítica de que foi alvo ao escolher Julia Samoylova alegadamente por ser portadora de deficiência, ou então soube muito bem como lidar com a crítica, escondendo a cadeira de rodas... com uma montanha. Tivemos a possibilidade de assistir às performances completas dos ensaios e garantimos: se vos parece ridículo por esta simples imagem, na emissão da Eurovisão vão achar mil vezes mais ridículo. 

4. A galinha dos ovos de ouro israelita


Desde o dia em que saiu que a música de Israel é favorita à vitória. A música, que é claramente um hino ao empoderamento feminino, conta com a mítica frase "I'm not your toy, you stupid boy" e com, surpreendentemente, uma imitação perfeita de uma galinha. Vocês acham que têm talento? Acham que têm o que é preciso para representar o vosso país na Eurovisão? A resposta é não. Porque a vossa galinha nunca vai ser tão boa como a da Netta. Por outro lado, a coreografia é bastante simples e todos nós podemos fazer a dança da galinha na nossa sala - quem sabe na arena também, e aí temos um flashmob de galinhas. No fundo esta música tem tanta probabilidade de ser um sucesso como ser uma das maiores piadas dos últimos anos e nós estamos desejosos para saber qual vai ser o destino. Mas há uma coisa que não podemos negar: Netta é maravilhosa e quem disser o contrário vai levar com um ovo na testa.

5. A cara do Salvador quando ganhar uma música que ele não gosta 





Lembram-se quando no ano passado perguntavam ao Salvador de que outras músicas eurovisivas é que ele gostava e ele respondia: “só gosto da Itália”? Ainda não o ouvimos pronunciar-se sobre as canções a concurso este ano (até porque ele ainda não as deve ter ouvido) mas a resposta não deve ser muito diferente, pelo menos a nível quantitativo. Já pensaram qual foi a reação da Helena Paparizou quando soube que tinha de dar o prémio aos Lordi? Ou a da Lena quando viu o Azerbaijão ganhar? Não devem ter sido as melhores mas elas souberam disfarçar. Essa é a diferença entre as pessoas comuns e o Salvador. Sendo ele uma pessoa tão espontânea e que diz tudo aquilo que pensa, é de esperar que a sua cara na hora da entrega do prémio ao novo vencedor seja tudo menos amigável caso ganhe algo de que ele não goste. No fundo nem o vamos poder condenar porque nós vamos ser os primeiros a dizer mal caso a nossa preferida perca.

6. A Sociedade Cooperativa dos Testadores de Vinho da Eurovisão


Lembram-se quando foi divulgada a lista das coisas que não se podia levar para a arena e entre elas estavam as bebidas? Mesmo que a regra seja para as pessoas em geral, obviamente vão ser abertas algumas excepções para evitar ataques de ansiedade por falta de álcool na Green Room. Aliás, Vanja Radovanović já confessou que aquece a voz a beber, então ninguém pode impedir o homem de aquecer a voz. Felizmente Vanja, Sennek, Ermal Meta e Waylon vêm para um país onde o que não falta é vinho e, enquanto nós vamos estar ocupados a ver as atuações, eles vão estar a testar o que de melhor se faz neste país em termos alcoólicos. E começam na Green Room porque na Blue Carpet as garrafas estavam vazias, senão essas com certeza não teriam chegado ao seu destino! Para além de umas quantas modernices, a Eurovisão em Portugal vai trazer mais uma coisa que nunca foi antes vista numa Eurovisão: vai sair uma classificação muito mais relevante que a classificação final, que é a lista dos melhores vinhos portugueses feita exclusivamente pelos concorrentes eurovisivos. 

7. Apresentação das variações de inglês vindas do Leste


Este ano temos uns quantos cantores que não são peritos em inglês. Aceita-se, não somos todos obrigados a saber. Mas depois há uns quantos, diga-se três, que mesmo sendo uma nódoa teimam em cantar em inglês. E foi assim que nasceu o Melonivês, o Alekseevês e o Yulanês. Claramente com raízes no inglês, não se sabe onde ou porque razôes estes dialetos nasceram, mas sabe-se que existe exatamente uma pessoa falante do dialeto para cada um deles. Mas não desesperem, se souberem inglês facilmente vão perceber que Furevah é o mesmo que Forever. Na realidade a mais difícil das três é o Melovinês, porque soa como se o pobre estivesse com a língua colada no céu da boca e só saem sons estranhos. Eventualmente a língua lá descola e dá para entender umas palavras, mas o desafio é grande. Então se estão interessados em aprender novos dialetos ou querem testar quão bons são a entender estas preciosidades, este momento é para vocês. 

8. Os riscos para a saúde da atuação húngara


O stage da Hungria foi o primeiro a ser apresentado ao público, já que foi feito um ensaio técnico com a música e o mesmo foi divulgado nas redes sociais. E o que vimos... o que vimos foi de deixar o queixo caído! Claramente os húngaros vão aproveitar o que de melhor o palco tem com muito fogo e muitas, muitas... MUITAS luzes. Imaginamos que quem montou o palco achou que aquelas luzes ficariam maravilhosas, mas tenho a certeza que ninguém vai providenciar óculos de sol para a plateia. E, obviamente não desvalorizando as pobres retinas de quem vai levar com o poder da iluminação, temos a certeza de que não vão pôr um aviso de que esta atuação é imprópria para epiléticos. Assim, para além da exorbitante conta de electricidade que todos nós vamos pagar, há pessoas que ainda vão ter que pagar contas de hospital por causa disto. E como se o perigo não fosse suficiente, ainda vai haver um guitarrista a voar nas mãos do público e nós só conseguimos imaginar um hater a deixá-lo cair de propósito. Obviamente que todos estamos entusiasmadíssimos para ver o que vai acontecer e provavelmente vai ser um dos stages mais bem aproveitados, mas cuidadinho com a saúde, okay?

9. Aprender a escrever uma música com o Rybak 


Todos nós nos lembramos de quando Alexander Rybak venceu a Eurovisão com “Fairytale”, certo?  É uma música tão amada pelos eurofãs que o norueguês achou por bem voltar ao concurso nove anos depois explicar-nos como compôs a música (e provar que é um vampiro uma vez que não há outra explicação lógica para manter a mesma aparência). Como o Rybak sabe que há muitos eurofãs com a idade mental de cinco anos - nós temos uma de oito, que já é acima da média - decidiu explicar ao pormenor tudo o que fez: primeiramente tirou um minuto para assentar a ideia e depois acreditou e cantou a música o dia todo. Para quê aprender onde se situa o mi na escala musical quando podemos simplesmente acreditar? 

10. Os interval acts pelos quais nenhum eurofã (inter)nacional está interessado


Ainda se lembram da ansiedade que todos sentíamos antes de os interval acts serem anunciados? Talvez estivéssemos à espera de um "Love love, peace peace" ou de uma daquelas junções épicas de vencedores eurovisivos mas a verdade é que, depois da revelação, nunca mais falámos no assunto. O opening act está a cargo dos Beatbombers. Se não sabem quem eles são, descansem porque nós também não. Mariza e Ana Moura vão juntar-se para levar a toda a europa fado. Os eurofãs gostam de fado? Ninguém sabe até porque 90% deles nunca ouviram fado (porque, adivinhem... não querem saber). A isto junta-se ainda aquela atuação do DJ Branko que vai ser uma "viagem pelos países lusófonos". Se isto nos soa desinteressante, imaginem o que pensam os fãs estrangeiros. Vamos esperar que nos surpreendam ou esquecer que isto existiu dois segundos depois.




11. O que dirá o cartaz do robô de São Marino?


Se acharam estúpida a presença de robôs na final nacional de São Marino, esperem para ver o que aí vem esta quinta-feira. Os robôs são maiores e vêm apetrechados de cartazes. No primeiro ensaio havia um que pedia Jessika em casamento. Porquê? Pelo mesmo motivo que os robôs lá estão: nonsense. No segundo ensaio, o mesmo cartaz tinha escrito "Justice for Valentina", fazendo alusão à rainha lá do sítio. Nós preferíamos ver "Justice for Serhat" mas quem sabe se não será isso que vamos ver na próxima quinta-feira. Certo é que, depois deste staging tão aleatório, todos queremos ver São Marino na final.

12. Os melhores outfit DIYs para fazer com restos de pano (e não só)


Este ano é surpreendente no que diz respeito a indumentárias. Os países estão cada vez a levar a Eurovisão mais a sério (menos a Itália, pois ninguém deve saber que a Eurovisão ainda existe) e isso transparece na falta de roupas ridículas, o que nos entristece. Ainda assim, temos sempre alguma pérola! Este ano temos um fato de treino de pele (pois até um dominatrix gosta de ter os seus dias de folga), um vestido transparente a boiar numa representante belga que estava tão indecisa que decidiu usar calças na mesma, e, o melhor de todos, o fato do representante de Montenegro, que parece feito com recurso a plástico bolha banhado com tinta metalizada.

13.  O inadequado erguer de braços sérvio


Sabem o que acontece quando vêem que toda a gente está a ignorar completamente a vossa música e a qualificação para a final se torna cada vez mais uma miragem? Aposta-se num grande staging, faz-se um outfit reveal arrasador, termina-se a atuação com um beijo na boca, certo? Errado! Os Balkanika, que por si só já parecem um culto sinistro, fazem mesmo um movimento equivalente à saudação de Hitler. Já que a EBU está demasiado ocupada para banir este tipo de manifestações, ficamos à espera dos 12 pontos da Alemanha para a Sérvia.

14. Saber se os intérpretes conseguem cantar as próprias músicas


Pode parecer um motivo estúpido, porque à partida pensamos que, se as pessoas aceitam ir à Eurovisão com uma canção, e que é um programa onde se canta ao vivo, elas saberão cantá-la. Mas parece que não é bem assim. Desde uma Julia Samoylova que parece uma cabra a berrar (não é exagero nem brejeirice, é mesmo o que parece), uma Sennek que só não é mais criticada por raramente fazer os “before it all” no tom correto porque nós, fãs, estamos mais ocupados a captar todos os momentos em que a apanhamos de copo de vinho na mão, passando até por uma Jessica Mauboy que falhou notas altas em alguns dos seus ensaios. Por favor, pessoas! Se não sabem cantar, pelo menos esforcem-se e façam 50293 versões diferentes como o Alekseev até a vossa atuação se tornar tolerável!

15. A aparente melhoria de qualidade que nos dificulta a vida


É o terceiro ano que fazemos este belíssimo texto (nós sabemos que já não vivem sem nós) e nos últimos dois havia tantas boas razões para ver a Eurovisão que foi difícil escolher. Este ano tivémos de fazer o esforço contrário. E nós sabemos de quem é a culpa: é da RTP. Os defensores da RTP estarão neste momento a rogar-nos pragas por estarmos a condenar a estação pública mas pensem connosco: uma parte importante da Eurovisão são as projeções ridículas que se fazem nos LEDs. Ora, este ano não há LEDs o que faz com que as delegações tenham de puxar pela cabeça. Como ninguém quer fazer o esforço, acabam por optar por exibições mais contidas e sem qualquer tipo de detalhe digno da nossa atenção. Music is feeling mas isto sem fireworks não é a mesma coisa.

Vídeos: Eurovision Song Contest/Imagens: eurovision.tv/smoothfm/esctoday/tumblr

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